Brasília - A polêmica sobre a data da posse do presidente é a mais nova celeuma provocada pelo texto da Constituição de 1988, mas não é a única e nem deve ser a última. Com apenas 14 anos, a Carta Magna já tem 44 emendas e hoje é um enorme retalho à espera de novos remendos.
Entre as cinco reformas pretendidas pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (previdenciária, tributária, política, agrária e trabalhista), as três primeiras exigem mudanças na Constituição. E não é difícil imaginar o tamanho dessas polêmicas, se nem na data da posse o texto da Carta Magna conseguiu agradar.
Lula não quer o que foi estabelecido pelo artigo 82, que é a posse no dia 1º de janeiro. Acha que chefes de Estados não poderão comparecer, porque na data celebra-se a confraternização universal. Por isso, propõe o dia 6. Já o presidente Fernando Henrique Cardoso não quer os dias extras de mandato.
Nesse campo constitucional, a polêmica fecha com ''chave de ouro'' os oito anos do governo FHC. De todos os presidentes pós-1988, Fernando Henrique é, para o bem ou para o mal, o recordista na aprovação de emendas. Foram aprovadas 34 das 38 emendas constitucionais promulgadas até hoje.
As outras seis emendas foram realizadas pelo Congresso Revisor, no governo Itamar Franco (outubro de 1992 a dezembro de 1994). Uma das emendas mais famosas - a 5 -reduziu de cinco para quatro anos o mandato do presidente da República.

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