Reforma tributária será retomada após recesso
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domingo, 19 de julho de 2009
Christian Baines<br> Folhapress 
São Paulo - Os deputados encerraram suas atividades na sexta e deixaram na pauta da Câmara propostas polêmicas que devem motivar novos embates entre governo e oposição a partir de agosto. Os líderes não chegaram a um entendimento sobre a votação da reforma tributária e ainda engavetaram as mudanças oficiais na tramitação das MPs (medidas provisórias).
Um dos primeiros itens da pauta é a reforma tributária. A proposta enfrenta uma ''obstrução branca'' porque não conseguiu contar com apoio fechado nem de governo nem da oposição. A grande resistência vem dos governadores que temem perder arrecadação e pressionam suas bancadas a evitarem a votação da matéria.
Após divergências em relação ao texto e uma ''obstrução branca'', a reforma tributária deve ser votada logo depois do fim do recesso.
Segundo o relator da proposta, deputado Sandro Mabel (PR-GO), a matéria tem fôlego para entrar na pauta. ''O presidente [da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP)] se comprometeu a colocá-la em votação na primeira quinzena de agosto.''
A reforma tramita na Câmara há 16 meses. A bancada governista tentou levá-la a discussão em plenário, mas não encontrou apoio de toda a base nem da oposição, que recusou debater o texto. Segundo Mabel, eles realizam uma ''obstrução branca'', já que os líderes dos partidos haviam entrado em um acordo.
''É uma votação muito importante para a população do país. Não pode virar uma questão política'', disse o relator. ''A oposição acha que o Lula vai ter mais cacife para as eleições de 2010, se a reforma for aprovada durante seu governo''.
Quando voltarem das férias, os deputados precisam analisar pelo menos outros seis projetos de lei, cinco propostas de emendas constitucionais e quatro medidas provisórias que já foram aprovados pelos deputados e deveriam ser votados no primeiro semestre.
Os parlamentares, no entanto, não demonstram nenhum entusiasmo para retomar as discussões da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que modifica a tramitação das medidas provisórias. Aprovada em primeiro turno no final do ano passado, o texto que era prioridade foi deixado de lado depois que Temer encontrou uma brecha constitucional que garante o funcionamento da Casa mesmo que a pauta estiver trancada.
Segundo Temer, que é advogado constitucionalista, apenas leis ordinárias ficam impedidas de serem votadas. Ficam liberadas as votações de projeto de lei complementar, de decreto legislativo e de resolução e propostas de emenda à Constituição.


