Brasília - O governo encaminha hoje ao Congresso a proposta de reforma sindical negociada com patrões e empregados no Fórum Nacional do Trabalho. O projeto estabelece regras para a representação dos trabalhadores, o que dificultará a criação de novas entidades, que terão de preencher os requisitos legais para obter o registro sindical. A mudança na legislação também fará com que, ao longo dos próximos cinco anos, muitos dos 18 mil sindicatos hoje existentes desapareçam ou unam-se a outros para, dessa forma, permanecer como entidades representativas dos trabalhadores.
As entidades favoráveis ao projeto prometem reunir hoje em Brasília representantes de pelo menos 500 sindicatos. Durante toda a tramitação da proposta de emenda constitucional (PECs) as duas maiores centrais sindicais do País Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical manterão na cidade um comitê pró-reforma para vigiar e acompanhar passo a passo o andamento do projeto.
O secretário de Relações do Trabalho e coordenador do fórum, Osvaldo Bargas, disse que esperava a reação. ''Não se muda um sistema que vigora há décadas sem resistência'', observou. Bargas disse que as exigências para a obtenção do reconhecimento da representatividade têm como objetivo evitar a situação vivida hoje, na qual o governo não têm como aferir se o sindicato tem base ou não e é obrigado a dar o registro sindical para entidades de fachada.
O secretário explicou que a busca do consenso na proposta levou a administração federal a ceder em vários tópicos. Um deles é o que diz respeito à contribuição negocial, que empresários e trabalhadores fizeram questão de constar da PEC.

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