São Paulo - O projeto de reforma tributária precisa ter fechadas as brechas para possíveis aumentos de carga tributária com o objetivo de evitar que ''o País prossiga patinando e não alcance o crescimento econômico que necessita'', disse ontem o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), sobre o encontro que os líderes empresariais do setor produtivo tiveram ontem com o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP).
Monteiro Neto afirmou ter ressaltado a Cunha que o Brasil tem uma escalada de aumento de impostos desde a década de 50, quando a carga tributária era 15% do Produto Interno Bruto (PIB), e hoje está em 37% do PIB. Na década de 60, a carga de impostos representava 18% do PIB; na década de 70, 22% do PIB; na década de 80, 25%; no início da de 90, ainda estava em 25%, para em 2002, saltar a 37%. ''Isto é um absurdo e que mostra, claramente, porque o País não alcança o desenvolvimento que necessita'', ressaltou ele, que falou em nome dos participantes do encontro, com o empresário Jorge Gerdau.
Monteiro Neto disse ter afirmado ao presidente da Câmara que a proposta da reforma tem várias portas abertas, que permitirão um aumento de tributos ao longo dos próximos meses, caso seja aprovada. ''Está evidente também que o País patina na questão do crescimento, porque os recursos disponíveis acabam sendo captados como impostos. Agora, tem-se várias portas para se ampliar os impostos'', disse.
Ele apontou o fato de o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) poder ter o uso de alíquotas máximas pelos Estados ou ainda de Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), numa cesta de produtos, dispor livremente de porcentagens do ICMS sempre para cima.

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