As reformas política e tributária não sairão antes de 2003. Esta já é uma certeza para o presidente em exercício do Senado, Edison Lobão (PFL-MA), e o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG). Os dois acreditam na aprovação de alguns avanços nessas áreas, mas não acham mais possível que o governo Fernando Henrique Cardoso cumpra todas as reformas anunciadas. ''Talvez nossa disposição no início do governo tenha criado uma expectativa exagerada'', admite Aécio. ''Hoje sabemos que são reformas complexas e que as condições políticas não são as mesmas.''

Para Lobão, falta tempo e conveniência. ''A reforma política precisaria ser aprovada até outubro, um ano antes das eleições'', observa. ''E a tributária é ainda mais complicada, porque todos têm medo de perder receita e seria um grande risco para os futuros governos.''

Apesar da constatação em meio a mais um escândalo no Congresso, agora envolvendo o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), eles não acham que isso tenha afetado o andamento das reformas. ''É um equívoco monumental dizer que o Congresso está parado'', critica Lobão.

Segundo ele, as comissões trabalham normalmente e só na quinta-feira o Senado havia aprovado oito projetos. ''Jader só é assunto na imprensa, porque aqui ninguém fala mais no assunto'', diz o senador. ''Apenas três senadores tratam desse problema (João Alberto, Romeu Tuma e Jefferson Péres, da Comissão de Inquérito do Conselho de Ética) e, mesmo assim, eles não deixam de comparecer às comissões.'' Lobão acrescenta que a reforma do Judiciário pode sair do forno até o próximo ano.

Também para o presidente da Câmara, o saldo tem sido positivo. ''Com todos os problemas do Senado, aprovamos matérias importantes como a restrição das medidas provisórias, a Lei das S.As., o Código Civil e outros projetos de alcance social'', cita Aécio. Ele também anota que a regulamentação do sistema financeiro e o chamado pacote ético devem ser aprovados. ''Vamos avançar no Código de Ética e no fim da imunidade parlamentar'', acredita o presidente da Câmara.

Ainda assim, Aécio reconhece que as reformas ficarão pela metade. ''Esses pontos são importantes, mas é claro que não se pode falar em uma reforma política ou tributária mais ampla, até para não criar falsas ilusões'', avaliou.

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