Reforma política está parada na Câmara
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domingo, 20 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Brasília - Mais de 100 projetos de lei que tratam da reforma política estão parados na Câmara Federal, em Brasília. Algumas das principais propostas, como a proibição de coligação para as eleições proporcionais e as mudanças no prazo obrigatório de filiação partidária, esperam aprovação há mais de um ano embora tenham sido avalizados pelo Senado em 2000.
Nem mesmo as regras da próxima eleição foram mudadas. Apenas as normas para o horário eleitoral gratuito e os programas partidários no rádio e na TV serão diferentes, segundo a cláusula de barreira. Não houve disposição dos deputados para votar mudanças que, na versão deles, poderiam prejudicá-los na campanha que começa oficialmente no segundo semestre.
Agora, qualquer norma aprovada será válida apenas a partir de 2003. Mas o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), se mostra disposto a pôr em votação ainda em 2002 dois projetos: o aumento do prazo de filiação partidária e o financiamento público de campanha.
Sei que o projeto do financiamento é polêmico. Então, quero democratizar o debate, porque a primeira reação da sociedade não é positiva. Mas temos de mostrar que é muito mais barato, porque no momento em que acabar com o privado, acabam os privilégios indiretos, disse Aécio, em dezembro.
É exatamente por causa dessa possível reação da sociedade que vários parlamentares duvidam da aprovação da emenda em ano eleitoral. A proposta prevê a divisão de R$ 760 milhões entre todos os partidos (R$ 7 por eleitor), obedecendo a critérios válidos já para o fundo partidário existente. A verba seria repartida de acordo com o tamanho das legendas e tem o apoio dos principais partidos da base governista e da oposição.
Já existe um acordo em torno da aprovação do aumento do prazo de filiação partidária. O projeto obriga que o ocupante de cargo eletivo esteja no mesmo partido nos três anos anteriores à eleição, caso contrário, é proibido de disputar o pleito. Hoje, qualquer cidadão tem de estar filiado ao mesmo partido apenas um ano antes da eleição.
Os senadores aprovaram também nos últimos anos a cláusula de barreira, a proibição de coligações nas eleições proporcionais e a ampliação do número de candidaturas. Todos esses projetos já foram discutidos numa comissão especial na Câmara.
O deputado João Almeida (PSDB-BA), integrante da comissão, chegou a preparar um pacote com sete projetos menos polêmicos, de modo a conseguir votá-los no máximo até o início de outubro, mas desistiu. À época, Almeida afirmou que o sistema partidário brasileiro está maduro para se desfazer de algumas normas legais que têm impedido que a composição e o funcionamento do Legislativo correspondam efetivamente à correlação de forças partidárias.


