Reforma política é inadiável, diz Busato
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domingo, 14 de agosto de 2005
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - ''A reforma política é inadiável. O atual sistema político não está dando estabilidade à nação''. A avaliação que leva em conta a turbulenta crise política iniciada com as denúncias de ''mensalão'' é do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, que abriu ontem à noite, em Curitiba, a III Conferência Estadual dos Advogados.
Busato disse, momentos antes do início do evento, que a necessidade de reforma política é uma unanimidade no País. ''(O ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso (PSDB) passou por diversas crises, e se tivesse sido denunciado apenas parte disso que está aí, o PT teria ido às ruas e pedido o impeachment de FHC'', ponderou o presidente da Ordem.
Para Busato, um eventual processo de impeachment do presidente Lula (PT) precisa ser encarado de duas formas: como um remédio que não faz bem ao País, mas também como possível único remédio. ''Impeachment não é golpe de Estado, tanto que está dentro do ordenamento constitucional. É um remédio amargo, mas que às vezes pode ser necessário'', declarou.
Na opinião de Busato, a forma como o presidente Lula está agindo é ''menor que o tamanho da crise''. Para o presidente da OAB, o pronunciamento de Lula, na sexta-feira, ficou aquém do esperado. No pronunciamento, Lula admitiu que o governo e o PT deviam desculpas ao povo.
A crise política fez Busato mudar o tom de seu discurso no evento, que seria mais acadêmico, segundo ele.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, era esperado para a abertura do evento, mas cancelou a viagem a Curitiba na véspera. Segundo a assessoria do Ministério da Justiça, uma reunião marcada para a tarde de ontem impossibilitou Thomaz Bastos de se ausentar de Brasília, onde o clima fica cada vez mais tenso por conta da crise política.
A conferência reúne advogados, juristas e autoridades para discutir a Reforma do Poder Judiciário e seus desdobramentos. O evento começou ontem e vai até amanhã. A reforma do Judiciário, introduzida pela Emenda Constitucional número 45, trouxe avanços como o controle externo do Poder Judiciário e a ampliação da competência da Justiça do Trabalho.
Participam da conferência juristas de renome nacional como Miguel Reale Júnior e Fábio Konder Comparato.


