A divergência da bancada paranaense sobre a reforma política reflete o que se passa no Congresso Nacional, onde cada parlamentar tem uma ideia a respeito do que deve mudar no processo eleitoral. Conforme levantamento da reportagem da FOLHA, a proposta conhecida como "distritão", principal tema do primeiro dia de votação na sessão de terça-feira, que se estendeu até a madrugada, dividiu a bancada. Dos 29 parlamentares do Paraná que votaram – Hidekazu Takayama (PSC) está de licença – 13 foram favoráveis e 16 contrários. Ao final, a proposta de emenda a Constituição (PEC) que acabaria com a votação proporcional, onde os mais votados estariam eleitos, foi rejeitada pela Casa.
Entre os críticos do distritão, o deputado federal Rubens Bueno (PPS) revelou a preferência pelo sistema distrital misto, "mais democrático". "No caso do Paraná seriam 15 eleitos pelo distrito e outros 15 pelo proporcional. No distritão, o que vale é o poder do dinheiro e é um prejuízo para o surgimento de novas lideranças", disse Bueno. O deputado Alex Canziani (PTB) também votou contra a mudança. Defensor da cláusula de barreira, que obriga os partidos a terem votação para se manterem, ele disse que não concorda com o distritão "porque sepultaria os partidos". "Teríamos menos renovações, menos surgimento de lideranças e campanhas mais caras. E nós precisamos fortalecer os partidos", defendeu ele.
Embora tenham votado a favor do distritão, Marcelo Belinati (PP) e Sergio Souza (PMDB) concordaram que foi por falta de opção. Segundo Marcelo, "o melhor é o distrital puro, mas como este não estava em votação, optei pelo distritão, porque acho que aumentaria a representatividade onde os mais votados seriam eleitos, sem quociente eleitoral". "Em lista fechada eu jamais votaria, porque aí quem mandaria são os caciques", lembrou o pepista.
De acordo com Souza, com a eleição dos mais votados "pelo menos a sociedade entenderia melhor como funciona a processo e acabaria essa história de um candidato com menos votos conseguir uma vaga enquanto o mais votado fica fora". Souza, porém, afirmou gostaria de manter o sistema proporcional, com o fim das coligações.
Na pauta de ontem, entre os temas estava a coincidência de eleições, o que pode fazer com que o eleitor vote a cada quatro ou cinco anos, de uma vez, em presidente, governador, prefeito, senador, deputado e vereador. Além do fim da reeleição, os deputados debateriam ainda a definição de mandatos de 5 anos e o voto facultativo.
A Câmara rejeitou anteontem todas as matérias colocadas em votação: o voto em lista fechada, defendido por partidos como PCdoB e PT; o voto distrital misto apresentado pelo PSDB – com o detalhe importante de que quase metade dos tucanos rejeitaram apelos de Aécio Neves (MG) contra o distritão.

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