Reforma política deve começar pela votação de 'lista fechada'
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terça-feira, 12 de junho de 2007
Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - Com um resultado incerto, o plenário da Câmara começa a votar hoje o projeto de reforma política pelo ponto mais polêmico da proposta: a chamada ''lista fechada'' ou ''pré-ordenada'', mecanismo pelo qual o eleitor passará a votar no partido, que terá uma lista de nomes, e não mais no candidato de sua escolha. Depois de várias reuniões, muitas bancadas chegarão divididas na sessão de amanhã.
Levantamentos feitos pelos líderes e por deputados mostram que há maioria para aprovação da ''lista fechada'' nas maiores bancadas. No PMDB e no PT, 60% do total estão a favor. No DEM, a questão foi fechada, ou seja, todos os deputados deverão votar a favor. A Executiva do PT antecipou para ontem a reunião com os parlamentares com a intenção de fechar questão a favor da lista. Entre as bancadas médias e menores, o PCdoB também fechou questão e os 13 deputados deverão votar a favor. No PPS, a maior parte da bancada também está a favor.
A bancada do PSDB está rachada, 56% a favor e o restante contrário, e vai tentar chegar a uma maioria em nova reunião hoje. Entre os contrários à lista partidária estão o PDT, o PP, o PR, cerca de 70% do PTB, e a grande maioria do PSB. ''A lista tira do eleitor o direito de escolher o seu candidato'', afirmou o líder do PSB, Márcio França (SP) . ''Com a lista, vamos criar uma ditadura dos partidos. O eleitor vai perder a identidade com o candidato'', argumentou o líder do PR, Luciano Castro (RR).
No PMDB, apesar de os deputados estarem liberados para votar como quiser, o líder da bancada, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que vai se manifestar no plenário a favor da lista fechada. ''A lista divide muito. Toda mudança tem o seu risco, mas prefiro que o partido escolha, faça a lista, do que o poder econômico'', argumentou o líder.
A ordem da votação dos itens da reforma política foi acertada ontem em reunião do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e os líderes partidários. ''Vamos começar pela mais difícil e a que terá maior repercussão nas mudanças'', afirmou o vice-líder do governo deputado Ricardo Barros (PP-PR). O acordo foi apenas de procedimento na votação, porque a divisão das bancadas não permitiu avanços quanto aos pontos da proposta.
''Não há consenso entre os partidos nem internamente nas bancadas. Dificilmente se convence algum deputado a votar uma regra na qual ele não terá chance de se reeleger'', avaliou Barros. Depois da lista ''pré-ordenada'', os deputados votarão o item que prevê o financiamento exclusivo das campanhas eleitorais.
Somente após essas duas votações é que entrarão outros temas como regras de fidelidade partidária e o fim das coligações partidárias. Nesses dois pontos as divergências são bem menores. As votações dos pontos do projeto serão nominais.


