Apesar das divergências, governadores apostam que ajuste tributário pode dificultar disputas para atrair indústrias
A briga para ver quem consegue atrair mais indústrias, dando em troca incentivos fiscais facilitados, movimentou os bastidores da 5ª Conferência Nacional dos Governadores realizada em Curitiba na última sexta-feira. A distância, os quatro principais Estados que comandam a guerra fiscal no País trocaram alfinetadas.
Os governadores de São Paulo, Mário Covas (PSDB); da Bahia, César Borges (PFL); do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT); e do Paraná, Jaime Lerner (PFL), demonstraram que não estão nem um pouco dispostos a ceder um milímetro neste jogo, a menos que o governo federal entre em campo para ditar as novas regras. Os governadores defendem reforma tributária já para equacionar distorções que, segundo eles, emperram o desenvolvimento dos Estados.
Mário Covas e César Borges brigam abertamente. Fazem questão de não esconder as suas divergências. O governador da Bahia acusou o de São Paulo de ‘‘terrorismo’’. Covas devolveu, afirmando que a guerra não passa de eufemismo. Para Olívio Dutra, a política de sobretaxar ajuda a minimizar a disputa interestadual. Lerner diz que os incentivos oferecidos pelos Estados são os mesmos e o que faz a diferença é a forma como os governos estaduais tratam a questão social, parte desse processo de industrialização.
Os repórteres da Folha Carmem Murara, Luciana Pombo, Emerson Cervi e Leandro Donatti acompanharam as entrevistas concedidas a diversos jornalistas pelos governadores durante toda a conferência. E reproduz nesta edição alguns dos melhores trechos.

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