Quito - Rafael Correa Delgado, que estudou em universidades dos Estados Unidos e da Europa, tem características que lembram alguns políticos brasileiros. A trajetória dele se assemelha a de Fernando Henrique Cardoso, pela origem de esquerda e por ganhar status de presidenciável após comandar como ministro a área econômica. Ele recebe o poder de Alfredo Palácio, a quem serviu como ministro da Economia. O estilo de Correa nas entrevistas, no entanto, lembra o de Ciro Gomes. O novo presidente do Equador gosta de citar cifras e números, nem sempre exatos, para destratar adversários e mostrar superioridade intelectual.
Às vésperas da posse oficial, Correa não deixa claro se será ''afilhado'' de Chávez ou de Lula. Ontem, diante de Chávez e de grupos indígenas, em Zumbahua, ele fez questão de agradecer ao ''companheiro metalúrgico Lula'' pelo apoio, sem deixar de criticar as ''víboras'' da direita equatoriana e defender mudanças radicais na estrutura política e social do Equador, um país com problemas comuns do continente, como a corrupção, a má distribuição de renda e a concentração de poder. ''Nada de servilismos, vamos fazer uma constituição democrática e socialista'', disse. ''Diziam que iríamos conduzir o país a uma guerra civil, não, vamos fazer as mudanças por meio de uma constituinte democrática.'' Ele já anunciou que vai fazer uma consulta popular para convocar uma assembléia constituinte.
Correa disse que considera tanto a atual carta quanto o Congresso ''ilegítimos''. Ontem, ele fez ataques duros ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, chamando-o de ''traidor'' do povo. Gutiérrez, deposto em meio a um caos político, tinha manifestado na semana passada apoio à convocação de uma nova assembléia. Durante a campanha eleitoral contra o multimilionário Álvaro Noboa, Correa prometeu nacionalizar o petróleo equatoriano. A Alianza País, comandada por ele, ganhou apoio de mais de 200 grupos políticos. Após vencer o segundo turno com 3,5 milhões de votos, cerca de 56% dos votos válidos, ele esteve em Brasília. Em encontro com Lula, amenizou o discurso, propondo parceria com a Petrobrás, que tem interesses na extração de petróleo no país. (L.N./AE)

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