Reforma mira recursos de R$ 3,5 bi
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domingo, 23 de novembro de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Sem controle oficial ou com acompanhamento precário pelas autoridades, pelo menos cerca de R$ 3,5 bilhões, mais de quatro vezes o investimento federal em saneamento em 2002, vão todo ano para entidades sindicais ou instituições controladas por elas no Brasil. Um levantamento obtido pela reportagem da Agência Estado mostra que em 2002 instituições sindicais urbanas de trabalhadores e patrões arrecadaram com a contribuição obrigatória - desconto instituído há 60 anos pelo presidente Getúlio Vargas - R$ 600.016.260,30. Dinheiro que cresce se somado ao arrecadado das empresas para repassar ao Senar, Senai, Sesi, Senac, Sesc, Sest, Senat e Sebrae: R$ 2.894.853.000,00. Por lei, as entidades sindicais só prestam contas a seus associados, e o Sistema S, ao Tribunal de Contas da União (TCU), que faz julgamentos com defasagem, às vezes, de cinco anos.
No topo do ranking da arrecadação sindical está o sistema patronal formado pela Confederação Nacional do Comércio e pelas duas entidades do Sistema S que administra, o Sesc (Serviço Social do Comércio) e o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), criadas há mais de meio século com objetivos culturais e de educação profissional. Somadas, as três receberam de trabalhadores e empresas, em 2002, R$ 1.182.580.564,81 - 33,83% dos quase R$ 3,5 bilhões. Só da contribuição sindical obrigatória, antigamente chamada imposto sindical, foram R$ 8.221.840,41 recebidos pela CNC.
Todo o dinheiro do Sistema S e da contribuição sindical obrigatória é bancado pela sociedade: diretamente, pelo pagamento às entidades sindicais, ou indiretamente, via repasse aos preços, pelas empresas.


