Reforma ministerial de Lula esbarra em amizade
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domingo, 04 de janeiro de 2004
Agência Estado 
Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu fazer uma reforma ministerial ''pragmática'', apenas para pôr o PMDB no governo, mas o seu pragmatismo está esbarrando no apreço pessoal que tem pelo amigo e ministro das Comunicações, Miro Teixeira, do PDT. Não bastasse a dificuldade do presidente Lula de demitir qualquer auxiliar, Lula ainda enfrenta resistências de aliados. Especialmente os do PSB, quando o assunto é a ''dança das cadeiras'' para acomodar Miro na Esplanada.
Nas cúpulas do PMDB e do PT, a hipótese considerada mais provável é a que abre vaga ao partido aliado nos ministérios das Comunicações, para o líder na Câmara Eunício Oliveira (CE), e das Cidades, para um dos 21 senadores peemedebistas. ''Mas o Miro só vai sair do governo se quiser e, em qualquer hipótese, sairá prestigiado porque o presidente gosta muito dele'', diz um dirigente do PT que acompanha as negociações da reforma ministerial.
Ele considera que, hoje, o destino mais provável de Miro é um outro ministério: o da Ciência e Tecnologia. Isso, é claro, depois de o ministro trocar de legenda, abrigando-se em um partido menos hostil ao governo. Operadores do Palácio do Planalto ainda apostam que o melhor destino partidário para Miro é o PSB.
Isso resolveria um problema e criaria outro. Os dirigentes do PSB não morrem de amores pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, mas não querem perder a pasta para um neo-socialista.''O governo nem pode fazer uma proposta dessa ao PSB porque, se fizer, terá problemas'', avisa o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), com a autoridade de quem acumula a vice-liderança do governo na Câmara com a segunda vice-presidência da nova executiva nacional socialista.
Interlocutores do Palácio do Planalto garantem que Lula vem conservando Miro em seu posto e suportando as críticas e reprimendas públicas de Leonel Brizola diante de uma avaliação: a de que, dentro do PDT, o ministro das Comunicações tem força política para segurar de oito a dez de seus 16 deputados. Mas a situação de Miro complicou-se desde 12 de dezembro, quando o diretório nacional do PDT decidiu, por 213 votos a 3, recomendar a seus filiados que ocupam função de confiança no governo federal que ''peçam exoneração, afastando-se de seus cargos a fim de que o partido possa exercer, sem constrangimentos, sua independência em relação ao governo Lula''.
Dificuldades à parte, o PMDB começa a semana na expectativa de que Lula dê um sinal mais claro sobre quais ministérios o partido vai ocupar na Esplanada e, sobretudo, quando será a data da posse. Apesar de o clima ainda ser de incerteza, a cúpula peemedebista aposta na definição rápida porque dela dependem outras questões de interesse do PMDB, do PT e do próprio Palácio do Planalto.
Só depois de nomeados os novos ministros, o PMDB cuidará da sucessão no Congresso interessa ao governo manter o senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado e das alianças entre os dois partidos para as eleições municipais. A indicação dos ministros do PMDB sela também o compromisso do partido com a reeleição do presidente Lula em 2006.


