Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu mesmo tirar Humberto Costa, do Ministério da Saúde, e Amir Lando, da Previdência. Para o lugar de Costa, Lula pretende nomear Ciro Gomes, ministro da Integração Nacional, que abriria vaga para o PMDB. Os nomes mais cotados para a vaga são os do ministro Eunício Oliveira (Comunicações) e da senadora Roseana Sarney, que deixaria o PFL para entrar no PMDB. Roseana é cotada também para o Ministério do Meio Ambiente, em substituição a Marina Silva, que voltaria para o Senado e disputaria o governo do Acre no ano que vem. Porém, este posto é reivindicado também pelo PP, partido que tem 51 deputados e nenhum senador, mas que, logo, passaria a ter uma bancada de quatro, o que melhoraria a situação do governo no Senado.
A vaga de Lando será preenchida pelo hoje vice-líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). Assessores do presidente Lula informaram ontem que Jucá já recebeu o convite. Também de acordo com auxiliares do presidente, a reforma deverá ser fechada até quinta-feira.
A reunião que começou a desatar o nó da reforma política foi realizada na noite de domingo, na Granja do Torto, e entrou pela madrugada. Além do presidente Lula, todos os outros que ajudaram a dar um rumo para a reforma ministerial eram ministros de primeira grandeza: Antonio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo).
Palocci disse a Lula que para o Planejamento quer ter por parceiro o deputado Paulo Bernardo (PT-PR); Dirceu mostrou-se favorável ao deputado Jorge Bittar (PT-RJ). Seja quem for, o substituto do interino Nelson Machado, do PT, que desde novembro reponde pela pasta, será também um petista entrosado com a equipe econômica. Palocci argumentou em favor de Bernardo. Disse que é um dos parlamentares petistas que mais conhecem o Orçamento da União, que tem trânsito livre em todos os partidos e que é excelente negociador.
Dirceu fez o mesmo em relação a Bittar. Os dois candidatos já foram relatores da Comissão de Orçamento. Bittar é do Rio de Janeiro, Estado que não tem ministros, mas na disputa para a Prefeitura do Rio, no ano passado, ficou em quinto lugar; o Paraná também não tem ministro. Bernardo não disputou nenhum cargo no ano passado. Quando Lula montou sua equipe ministerial, o nome de Bernardo apareceu entre os prováveis ministros do Planejamento. Mas a escolha contemplou Guido Mantega, hoje presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Segundo os auxiliares do presidente Lula, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) substituirá o deputado Aldo Rebelo na Coordenação Política. Lula comunicou aos presentes que pretendia chamar Rebelo para algum cargo, mas lembrou a todos eles que durante almoço na semana passada com o ministro, de quem gosta muito, este lhe comunicou que dispensaria a oferta e deixaria o lugar vago para ajudar na composição com os partidos da base aliada.

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