Reforma mantém PMDB e PT no ministério
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domingo, 19 de dezembro de 2004
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - A reforma ministerial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende fazer no início do ano não será tão ampla como a princípio foi pensada. De acordo com informações de auxiliares do presidente Lula, ela abrigará o PP, único partido da base aliada ainda a não ter um lugar no ministério, e deslocará o PMDB governista para ministérios com maior visibilidade nas bases, ou seja, com repasse de verbas diretamente para os municípios. Atualmente o PMDB comanda os ministérios das Comunicações e da Previdência Social. Mas deverá deixá-los para outros aliados.
O Ministério das Comunicações poderá ser o destino da senadora Roseana Sarney (PFL-MA), que foi convidada a integrar a equipe de Lula pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu, e pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Roseana comunicou que aceita participar do governo. Ao sondar o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), sobre a possibilidade de se licenciar do cargo, ouviu em resposta que deve pedir para sair. Na sexta-feira Roseana se licenciou do cargo de senadora por 120 dias. De acordo com as informações dos assessores do presidente Lula, ela deverá ficar sem partido até que sejam acomodadas as forças políticas no ano que vem.
Com certeza, de acordo com informações dos assessores, três ministérios não saem das mãos do PT de jeito nenhum: Fazenda, Educação e Saúde. Os três são considerados os mais estratégicos para o PT e para as políticas econômica e social do governo. Como há a especulação de que Humberto Costa poderá ser afastado da Saúde, outro petista o substituiria, no caso de o presidente Lula decidir por tirar o ministro pernambucano.
Ainda conforme auxiliares do presidente Lula, os ministérios das Cidades e do Desenvolvimento Social, hoje dirigidos pelos petistas Olívio Dutra e Patrus Ananias, tendem a ficar nas mãos do PT e de seus titulares. Por duas questões: o das Cidades é hoje tido como o ministério que atende reivindicações dos movimentos sociais urbanos mais importantes, como o dos sem-teto e dos moradores de favelas e já tem uma equipe preparada para isso; o do Desenvolvimento Social é um projeto gestado pelo PT para concentrar as políticas sociais como o Bolsa-Família e o Fome Zero.
Logo que o ano de 2005 começar, o presidente Lula vai trabalhar para consolidar de vez a sua base de apoio no Congresso. Para tanto, precisa dos ministérios e dos cargos a eles ligados nos Estados, dizem os assessores do Palácio do Planalto. Do PP, chamará o deputado Pedro Henry (MT), cujo passado já foi devidamente examinado pelo Gabinete da Segurança Institucional (GSI). Do PMDB, deverá manter na equipe Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência), mas, como quer Lula, em ministérios de maior resultado eleitoral.
O presidente Lula e todos os estrategistas do governo consideram que o racha do PMDB, ocorrido há dez dias, foi o que houve de melhor para os planos do Palácio do Planalto na montagem da base de apoio do governo no Congresso. Como 19 dos 22 senadores e 46 dos 76 deputados do PMDB permaneceram ao lado do governo, o Planalto considera que estão definidos os aliados. Portanto, as negociações agora passarão a ser feitas com esse grupo e não mais com todo mundo.
Também de acordo com auxiliares do presidente Lula, em nenhum momento haverá retaliação ao grupo que tentou romper com o governo, e que tem em seu comando o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), os ex-governadores Orestes Quercia (SP) e Anthony Garotinho (RJ), e os deputados Geddel Vieira Lima (BA) e Eliseu Padilha (RS).
A ordem é simplesmente ignorá-lo e deixar que a articulação que fizeram desmanche por si mesma. Geddel, por exemplo, perdeu a vaga de candidato a secretário da Mesa da Câmara para Henrique Eduardo Alves (RN), este fiel ao Planalto. Quanto ao PPS, o Palácio do Planalto pretende ter com o partido comportamento igual ao adotado com o PMDB. O presidente do PPS, Roberto Freire (PE), será isolado. O presidente Lula vai trabalhar com os fiéis (15 dos 23 deputados, dois senadores, dois governadores e o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes). Os outros vão para a lista dos oposicionistas. (Colaborou Vera Rosa/AE)


