Reforma incentivará exportação
Agência Folha
De Brasília
O vice-presidente da Comissão Especial da Reforma Tributária, deputado Antonio Kandir (PSDB-SP), disse ontem que a reforma será importante para reduzir o passivo externo líquido brasileiro sobre as exportações, que está em 4% do PIB (Produto Interno Bruto). De acordo com ele, o razoável seria que o passivo correspondesse de 2% a 2,5% do PIB.
Kandir frisou a importância do ajuste pelo fato de algumas pessoas defenderem que esse déficit de 4% seja coberto com investimentos externos. Para ele, estão se esquecendo de avaliar que no futuro esse déficit aumentará ainda mais por causa da remessa de lucros para o exterior. Os financiamentos, temporariamente, também são cobertos por esse passivo, mas no futuro o problema aumenta em razão dos juros, acrescentou o deputado. Segundo Kandir, a única saída para essas questões é a reforma tributária.
O deputado disse que são grandes as chances da reforma ser aprovada ainda este ano, mas as mudanças devem prevalecer só em 2001. Para o deputado, o Brasil não conseguirá cobrir sua dívida externa se não promover a reforma tributária. Segundo ele, para cobrir esse passivo externo, que hoje está na faixa de US$ 300 bilhões, o Brasil teria de aumentar em 10% suas exportações. Mas não corremos este risco (de aumentar as exportações) com o atual sistema tributário, ironizou. Kandir explicou que a dívida do Brasil, dividida pela capacidade atual de exportação (US$ 50 bilhões), corresponde a seis anos de exportações.
Kandir disse ainda que o projeto preliminar da reforma está voltado para a questão do desemprego. Segundo ele, não há outras formas de acabar com a pobreza a não ser por meio de uma reforma tributária direcionada para criação de emprego e distribuição de renda. E o resto tem de se adequar a isso, disse.





