Brasília- O vice-presidente do Senado, Paulo Paim (PT-RS), disse ontem que conta com apoio de vários senadores para negociar mudanças no texto da reforma da Previdência. Foi um desafio ao governo e uma resposta às críticas do chefe da Casa Civil, José Dirceu, que contestou recentemente a posição de Paim em defesa de alterações no texto da reforma.
''Eu tenho mais votos do que vocês podem imaginar. É claro não vou ensinar o caminho da roça de público. Como alertei, a Câmara modificou mais de dez pontos (da proposta de reforma da Previdência)'', afirmou Paim. Como parte da estratégia de mobilização pela reformulação da proposta aprovada na Câmara, Paim esteve com o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), acompanhando um de seus aliados na luta pelas alterações no texto, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho.
Para mostrar que não é uma voz isolada no Senado, Paim afirmou que só ontem ouviu, no plenário, oito intervenções de senadores que vão na linha pregada por ele. ''Eles (os oito senadores) disseram que vão mexer. Eu estou convicto de que o Senado vai mexer no texto'', declarou.
Paim e Marinho vão procurar os senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro fórum de votações e discussões da reforma no Senado, num movimento para alterar regras do sistema de Previdência aprovadas pela Câmara.
Marinho avalia que os senadores terão muito interesse em debater sugestões dos trabalhadores para melhorar a proposta, porque, assim como os demais parlamentares, eles dependem de votos de muitos brasileiros para disputarem, com chances de vitória, as próximas eleições. Seguindo o pensamento de Paim, Marinho afirmou que o Senado não pode simplesmente homologar aquilo que foi aprovado pela Câmara.

mockup