Reforma da Previdência exige esforço de aliados
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quarta-feira, 26 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Poucas horas antes de tentar votar os pontos polêmicos da reforma administrativa na Câmara, os líderes aliados do governo precisarão de muito esforço para conseguir dar andamento à proposta de reforma da Previdência Social. O projeto teve o processo de votação iniciado ontem, às 10 horas, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e enfrenta resistência pesada da oposição, que deseja derrubar a proposta.
Antes da votação, o presidente da CCJ, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), precisou decidir questões de ordem apresentadas pela oposição e que se chocaram com os interesses defendidos pelo governo. A mais complicada questionou o ponto da reforma que autoriza a cobrança de contribuições de aposentados e pensionistas.
Além disso, os deputados da oposição apresentaram questão de ordem propondo o desmembramento da emenda original em várias outras e também quiseram saber se o projeto de reforma pode ser considerado como uma nova matéria, o que atrapalharia muito o andamento dentro do Congresso.
Na verdade, existe um claro jogo político na votação da reforma previdenciária. O governo deseja aprovar a proposta o mais rápido possível para poder apresentar um sinal ao mercado externo de que a economia brasileira está fortalecida. Os partidos de oposição, no entanto, são contra o projeto por entender que ele não atende aos interesses da sociedade e termina com direitos adquiridos dos trabalhadores. Essa reforma só atende aos interesses do governo, explica o deputado Marcelo Déda (PT-SE), vice-líder do PT na Câmara.
Desde 1995, a reforma previdenciária transita pelo Congresso sem conseguir sair do papel. Primeiro, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), relatou a matéria na Câmara e acabou vendo os deputados derrubarem pontos importantes que interessavam ao governo. No Senado, o projeto passou para as mãos do senador Beni Veras (PSDB-CE), que retomou os artigos da proposta original. Como o texto foi modificado, precisou ser apreciado novamente pela Câmara.


