Poucas horas antes de tentar votar os pontos polêmicos da reforma administrativa na Câmara, os líderes aliados do governo precisarão de muito esforço para conseguir dar andamento à proposta de reforma da Previdência Social. O projeto teve o processo de votação iniciado ontem, às 10 horas, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e enfrenta resistência pesada da oposição, que deseja derrubar a proposta.
Antes da votação, o presidente da CCJ, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), precisou decidir questões de ordem apresentadas pela oposição e que se chocaram com os interesses defendidos pelo governo. A mais complicada questionou o ponto da reforma que autoriza a cobrança de contribuições de aposentados e pensionistas.
Além disso, os deputados da oposição apresentaram questão de ordem propondo o desmembramento da emenda original em várias outras e também quiseram saber se o projeto de reforma pode ser considerado como uma nova matéria, o que atrapalharia muito o andamento dentro do Congresso.
Na verdade, existe um claro jogo político na votação da reforma previdenciária. O governo deseja aprovar a proposta o mais rápido possível para poder apresentar um sinal ao mercado externo de que a economia brasileira está fortalecida. Os partidos de oposição, no entanto, são contra o projeto por entender que ele não atende aos interesses da sociedade e termina com direitos adquiridos dos trabalhadores. ‘‘Essa reforma só atende aos interesses do governo’’, explica o deputado Marcelo Déda (PT-SE), vice-líder do PT na Câmara.
Desde 1995, a reforma previdenciária transita pelo Congresso sem conseguir sair do papel. Primeiro, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), relatou a matéria na Câmara e acabou vendo os deputados derrubarem pontos importantes que interessavam ao governo. No Senado, o projeto passou para as mãos do senador Beni Veras (PSDB-CE), que retomou os artigos da proposta original. Como o texto foi modificado, precisou ser apreciado novamente pela Câmara.

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