Vereadores e o Sindicato dos Servidores Públicos de Londrina (Sindserv) questionam alguns pontos do projeto de reforma administrativa proposta pelo Executivo e que tramita na Câmara Municipal. Além de criticarem a extinção de algumas secretarias, os vereadores dizem que não estão convencidos sobre a economia prevista pelo projeto – cerca de R$ 1,5 milhão por ano. O assunto vai ser discutido hoje, a partir das 15 horas, durante sessão do Legislativo, entre os parlamentares e a presidente do Sindserv, Marlene Valadão.
A reforma propõe a redução de secretarias e coordenadorias de 16 para 11. As autarquias, companhias e empresas mistas permaneceriam inalterados – 11 no total. A única mudança que deve ocorrer ainda este ano envolve a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), que passará de empresa pública à agência de desenvolvimento. O secretário de Administração, Rubens Menolli, argumenta que uma agência poderá captar mais recursos junto à iniciativa privada.
Para a vereadora Elza Correia (PMDB), presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviços Públicos, o Executivo não poderia transformar a Codel. ‘‘Segundo o próprio projeto, o Executivo pode atribuir apenas a fundações e autarquias o status de agências de desenvolvimento.’’ Ela acrescentou que na reforma não são detalhadas as competências das secretarias de Saúde e de Agricultura, e que não se convenceu ainda da economia proporcionada pelo projeto. E também discorda da extinção da pasta da Mulher.
Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Jamil Janene (PDT), integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não concordam com a extinção da Secretaria do Idoso. Apesar de a CCJ analisar apenas os aspectos legais da reforma, Tamarozzi argumenta que extinguir a secretaria seria um retrocesso. ‘‘Houve tantos avanços até agora, por quê reduzi-la à coordenadoria?’’ O vereador acredita que o prefeito Nedson Micheleti (PT) deve acatar a sugestão e manter a pasta.
De acordo com o projeto, as pastas de Idoso e da Mulher serão transformadas em coordenadorias subordinadas à Secretaria da Cidadania, órgão a ser implantado. A mudança também não foi bem vista pelo Sindserv. ‘‘A criação de duas coordenadorias acrescenta salários equivalentes ao de secretários, o que reduz a economia prevista pela prefeitura’’, afirmou Marlene Valadão.
Segundo Menolli, algumas alterações irão apenas concretizar o que já ocorre, como é o caso do acúmulo de secretarias. A presidente do Sindserv acredita que as mudanças não terão efeito, pois não permitem a agilidade estrutural tão desejada pelos servidores. Ela também alertou que no projeto não estão incluídas alternativas para a estrutura interna. ‘‘Não se discute a filosofia de cada secretaria, nem atribui aos órgãos a agilidade que esperávamos. É na verdade uma reforma política, não administrativa.’’
Em julho de 2000, o então prefeito Jorge Scaff (PSB) pediu ao Sindserv um projeto de redução de custos e reestruturação da prefeitura. O sindicato elaborou um projeto que previa economia de R$ 80 mil mensais. Segundo Marlene Valadão, Nedson recebeu o projeto no começo de seu mandato e prometeu que o Sindserv seria convidado a participar da formulação da reforma. Ela lamentou que o convite acabou não acontecendo.

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