Reforma administrativa causa polêmica e agita a Câmara
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
Arquivo FolhaRenato Araújo: para o líder do prefeito, reforma só no ano que vemNão é só o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindiserv) que está descontente com a reforma administrativa pretendida pela Prefeitura de Londrina. Alguns vereadores e até secretários municipais discordam de alguns itens previstos na reforma e prometem tentar reverter o quadro antes do início da votação dos projetos na primeira semana de dezembro.
O líder do prefeito na Câmara, vereador Renato Araújo (PPB), disse que ainda não leu o projeto. As propostas, que prevêem uma economia anual de R$ 7,5 milhões aos cofres públicos, foram entregues pelo secretário geral da prefeitura, Gino Azzolini Neto, ao prefeito Antonio Belinati (PDT) e ao vice Alex Canzini (PTB) no último dia 6. Elas estão sendo analisadas pelas comissões da Câmara.
Entre as principais medidas da reforma estão a extinção de três das 12 secretarias e o fim de 209 das 500 unidades administrativas da prefeitura. A terceirização do Autódromo Internacional de Londrina e o fim da Ametur (Autarquia Municipal do Esporte e Turismo) também estão programados, como a implantação de um Plano de Exoneração Voluntária.
Nem o líder nem a bancada foram chamados para discutir. Além do mais, havia a promessa de convocação do líder depois que a reforma fosse concluída. O Gino (secretário geral) e a Zuleica (secretária de Recursos Humanos) vieram à Câmara trazer os projetos sem ao menos avisar os vereadores do bloco de apoio, queixa-se Araújo, que promete começar a analisá-los somente quando eles entrarem na pauta de votação. Na semana que vem, a Câmara promove duas audiências públicas para debater a reforma. Araújo lembra que o período legislativo se encerra no dia 15 de dezembro.
A coordenadora especial da mulher, Cleide Camargo, cuja pasta pode ser transformada em secretaria pela reforma, diz que foi pega de surpresa com o projeto que, apesar de criar a secretaria mantém apenas uma diretoria, ao invés de duas reivindicadas pelos funcionários. Segundo ela, a equipe da coordenadoria elaborou um pré-projeto melhor do que o proposto na reforma, visando não só a economia, mas mantendo a garantia de benefícios à população. Isso é condição essencial para o trabalho, reage.
Levantamento da coordenadoria aponta que 70% dos quase 13 mil atendimentos feitos desde o início do ano poderão ser suspensos caso a reforma seja aprovada como está. Pela reforma, nossa atuação fica restrita ao atendimento às vítimas de violência, enquanto nosso trabalho é bem mais amplo, passando pelo apoio à família, ao agressor e a prevenção. Cleide Camargo diz que as representantes das associações de mulheres estão preocupadas com a proposta e já pediram uma audiência com o prefeito. A própria Cleide se reúne hoje com o secretário geral pedindo uma revisão no projeto.


