Prefeitos reeleitos em Londrina, Rolândia e Apucarana prometem começar a próxima administração com as contas em dia. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em vigor desde o primeiro ano do atual mandato, obrigou as prefeituras a controlar gastos e equilibrar as contas, proibindo os atuais representantes do Executivo de deixar dívidas pendentes para 2005.
O prefeito de Londrina Nedson Micheleti (PT) garante ter colocado as contas da casa em dia. Ele assumiu em 2001 e, nos dois primeiros anos, se queixou das dívidas herdadas, incluindo folhas de pagamento em atraso e fornecedores que não recebiam há meses. ''Essa lei é muita importante e estamos honrando desde o início'', declarou.
Nedson enfatizou que a prefeitura está equilibrada mas apontou a queda na arrecadação, ocorrida entre os meses de setembro e outubro, como uma dificuldade a mais a ser ultrapassada para fechar com o caixa em dia. ''Com campanha do outro candidato (Belinati) de que não precisava pagar imposto (o IPTU) porque ele daria descontos e até isenção, tivemos uma queda e agora é preciso reajustar novamente as contas'', detalhou.
Com arrecadação mensal em torno de R$ 22 milhões e folha de pagamento de funcionários cotada em R$ 14 milhões, Nedson atribuiu o ajuste das contas à responsabilidade administrativa. ''É preciso responsabilidade no debate de reajuste salarial e custeio de manutenção de novas obras. Um posto de saúde, por exemplo, tem que pensar que terá custo todos os meses'', salientou. Na análise do prefeito, esse primeiro mandato sob a LRF foi um treino para as administrações. ''Com o decorrer do tempo tudo vai ficar dentro da normalidade. A LRF está formando uma nova visão sobre a administração municipal'', analisou.
O peemedebista Eurides Moura, prefeito de Rolândia, garante que as contas da prefeitura estão em harmonia. ''Temos um planejamento desde o começo do governo para preparar para o fechamento das contas. É evidente que cortamos gastos supérfulos nesse período'', argumentou. Moura frisou que neste fim de ano está apenas evitando compras desnecessárias, não sendo preciso fazer cortes mais severos. Durante os quatro anos, medidas como corte de pagamentos de horas-extras e não contratação de novos funcionários para preencher vagas deixadas por quem se aposentou melhoraram a saúde financeira da prefeitura.
O equilíbrio nas contas, de acordo com o prefeito, foi conseguido com o planejamento dos quatro anos. ''Vamos pagar a segunda parcela do 13º salário no dia 19 de novembro e o salário de dezembro será pago antes do Natal'', destacou Moura. O orçamento do município para este ano foi de R$ 40 milhões. A cada mês, R$ 1,3 milhão era gasto com a folha de pagamento dos servidores. ''A lei é extraordinária. É lamentável que tenha vindo muito tarde. Porém, os governos Estadual e Federal deveriam dar o exemplo. A lei precisaria prevalecer em outros níveis de governo. Por que eles podem e os prefeitos não?'', criticou Eurides Moura.
Acostumado ao cargo de prefeito, Valter Aparecido Pegorer (PFL) vai para seu terceiro mandato em Apucarana. ''Sem dúvida a administração foi melhor com a LRF. Ela chegou em hora oportuna, a única coisa é que os prefeitos dessa gestão atual estão tendo dificuldades pela herança de dívidas de outras administrações'', cometou Pegorer. Ele destacou que desde o primeiro momento está fazendo ajustes e economia para conseguir o equilíbrio financeiro exigido pela lei.
Nesse fim de ano foi preciso apertar os cintos. Como terá mais quatro anos pela frente, o prefeito de Apucarana está paralisando obras onde não terá recurso suficiente para a conclusão até o fim deste ano. ''No ano que vem, abro nova licitação para dar continuidade. Também não estamos consertando veículos quebrados e economizando luz, água e telefone'', enumerou. Para ele, deixar as contas zeradas não será muito fácil. ''O Tribunal de Contas certamente terá flexibilidade porque alguma coisa os prefeitos acabarão deixando para o próximo. A maior dificuldade é que a receita não acompanha a necessidade da população e a gente não consegue atender os sonhos das pessoas'', explicou Pegorer.
A arrecadação mensal do município é de R$ 4 milhões; R$ 1,5 milhão é utilizado para pagamento de funcionários. ''A gente tem que fazer mágica'', comparou. Apesar das dificuldades, a prefeitura não diminiu o horário de atendimento. ''Se eu paralisar, vou prejudicar a população'', justificou o prefeito. (F.B.)

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