Reeleitos em 2000, os prefeitos de Arapongas e Cambé se esforçam para entregar os cargos com a administração adequada à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). No primeiro mandato, eles não foram submetidos às exigências da LRF e agora fazem parte do primeiro time de prefeitos que devem entregar as contas municipais em ordem para seus sucessores.
O prefeito José Aparecido Bisca (PFL) avaliou que a situação de Arapongas está em melhora gradativa mas o momento é de ''aperto''. Bisca enumerou que os municípios reduziram em 69% o déficit público, enquanto a União aumentou em 11% e os Estados em 24%. O prefeito criticou que os municípios têm pequena participação no bolo tributário. ''A participação já foi de 23% e hoje está em 14%'', informou. Para ele, o achatamento do poder aquisitivo das prefeituras é a maior dificuldade das administrações municipais.
Para se adequar à LRF foi preciso desacelerar. ''Passamos a economizar, diminuímos o expediente e os departamentos que estão com o serviço em dia trabalham meio período'', comentou. Cargos ocupados por servidores sem estabilidade também já foram reduzidos, 100 deles foram demitidos. Com arrecadação de R$ 4,5 milhões mensais, a prefeitura gasta R$ 1,5 milhão com pagamento de funcionários. ''Está difícil fechar as contas, quando assumimos tínhamos muitas contas a pagar e é um trabalho que vai se enquadrando gradativamente'', analisou Bisca.
Em Cambé, o prefeito José do Carmo Garcia (PTB) está em fase de restrições. ''O problema é que nós temos a lei a ser cumprida mas a Legislação não retirou dos municípios os encargos e muito menos transferiu os recursos necessários. Não temos receita para cumprir as missões que nos são delegadas'', criticou Zé do Carmo. Para se adequar à exigência da LRF, o prefeito cambeense faz economia de água, energia elétrica, telefone, além de enxugar cargos comissionados. ''A expectativa é sempre de tentar fechar, embora devemos reconhecer que não vai ser fácil, principalmente por causa das despesas permanentes'', argumentou.
A folha de pagamento da prefeitura consome R$ 1,8 milhão dos R$ 4 milhões de receita mensal da cidade. Apesar da dificuldade de adequar despesas à receita, Zé do Carmo elogiou a lei. ''No todo ela é positiva, mas tem algumas peculiaridades que precisam ser adaptadas à nossa realidade. A Legislação não prevê, por exemplo, fatos que acontecem no dia-a-dia da administração como queda no Fundo de Participação dos Municípios e muito menos o custos que temos para manter serviços'', declarou.
Em Ibiporã, o prefeito Reinaldo Ribeirete (PSDB) trabalhou pela vitória de Alberto Bacarin (PPS), seu atual vice. Ribeirete destacou que os cortes em sua administração começaram em 2001. Entretanto, uma nova medida foi adotada recentemente para diminuir as despesas da prefeitura. O horário do atendimento ao público foi reduzido: das 8 às 14 horas. Segundo Ribeirete, essa mudança antecipou o que seria feito no próximo ano para adequação ao novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) aprovado pela Câmara Municipal.
O controle de obras é outra medida para controlar custos. ''A não ser as obras já contratadas com convênios, só estamos atendendo questões emergenciais'', disse. O pagamento de horas-extras dos servidores foi substituído pelo banco de horas. Ribeirete diz que a maior dificuldade é que o município depende de verba da Federação e do Estado. Ele também reclamou da redução da participação dos municípios no bolo tributário. Com R$ 2 milhões mensais, a prefeitura gasta R$ 800 mil com pagamento de servidores.

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