Se a categoria quiser, nova greve pode ser deflagrada no funcionalismo público municipal de Londrina ainda este ano. Se a mesma categoria aprovar, uma candidatura dele ao Executivo, em 2008, também não está descartada. O caminho a ser seguido? ''A pressão política, o lobby para que o servidor tenha a reposição das perdas de sete anos. O caminho é o da luta; pelo que sei, na Segunda Guerra ninguém foi convencer o (ditador austríaco Adolph) Hitler por meio de conversa.'' A análise do tom que deve ser adotado pelos próximos três anos - ou até que as causas sejam atendidas - é do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv-Ld), Marcelo Urbaneja, reeleito para o cargo na madrugada de ontem.
Conturbada nos bastidores, a eleição realizada nas últimas segunda e terça-feiras teve o resultado divulgado por volta das 5 horas de ontem, quando a apuração foi concluída na Câmara de Vereadores. Líder da Chapa 1 - ''Sindserv Para Todos'', Urbaneja obteve 55% do total, com 1.950 votos. Segunda colocada, a Chapa 2 - ''É pra mudar'', da servidora Francismara Lourenço, ficou com 1.115 votos. Já a Chapa 3 - ''Reconstruir Sindserv'', da servidora Davina Soares, somou 250 votos. O índice de 80% de participação reflete os 3.546 sindicalizados que compareceram às urnas, do total de 4.428 aptos a votar.
Apesar da vitória apertada - diferença de 585 votos para a somatória das duas chapas -, o dirigente afirma que ''administra para a maioria''. ''É um resultado que me credencia tranquilamente para mostrar que estamos no caminho certo, pela pressão e pelo lobby''.
Indagado sobre as queixas que a reportagem ouviu de servidores, nos dias de votação, sobre a falta de resultados financeiros nos 137 dias de paralisação em 2005 e 2006, Urbaneja garantiu que a estratégia de pressão sobre secretários municipais - especialmente os de Fazenda e Gestão Pública -, sobre o prefeito Nedson Micheleti (PT) e sobre os vereadores deve se manter.
''Em todo o mundo, a luta pelos direitos é por meio de manifestações, greves, vaias. Vamos continuar esclarecendo a população sobre irregularidades que venham a ocorrer na administração, bem como seguirão os convênios que o sindicato mantém com universidades para facilitar o aperfeiçoamento do servidor. Isso tudo é valorização, mas são R$ 200 milhões de defasagem acumulada em sete anos que não podem ser esquecidos'', avisou.
Com 40 anos, servidor da educação municipal há 17 e originário de uma família de servidores - ''concursados'', faz questão de salientar - do Município, Urbaneja evita antever nova possibilidade de greve, mas não a descarta. ''Se mês que vem houver assembléia e o servidor achar por bem fazer nova paralisação, com novo formato - e isso já está em conversação -, ele é que decide. Eu só vou para a linha de frente'', discursou.
Já a respeito da pretensão política para 2008, garantiu, a única certeza ''é que não saio nunca candidato a vereador. Jamais''. E ao Executivo? ''Não sou filiado a partido político algum, mas ando pelos 300 locais de trabalho na Prefeitura, e, entre os 7 mil servidores, alguns me cobram, até mesmo apoiando essa postura. Quem decide meus passos não sou eu - é a categoria.''

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