Brasília - Em seu primeiro discurso depois de reeleito presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) disse ontem que vai fazer um ''sacrifício pessoal'' para ficar no comando da Casa por mais dois anos. Ele obteve o quarto mandato no comando da Casa com 70 votos dos 81 parlamentares. Sem mencionar a crise ética que atingiu o Senado em 2009, Sarney disse que a ''paixão pela vida pública'' e ''doação maior que a sua própria vida'' à política vão lhe afastar do seu ''bem-estar social'' nos próximos anos.
''Não desejava o encargo (de presidente do Senado), dele não pude fugir tendo o alto preço do exercício dessas funções. Tenho visão desse compromisso com as instituições, com a independência do Poder Legislativo, principalmente de nossa Casa, que jamais pode ser submissa a nenhum poder nem tampouco afastada do interesse nacional'', disse.
Sarney relembrou sua trajetória política desde a época da ditadura militar. O peemedebista emocionou-se e chegou a embargar a voz quando lembrou de 1955 - período em que chegou à Câmara dos Deputados para seu primeiro mandato.
Depois de responder a processos no Conselho de Ética pelo escândalo dos ''atos secretos'' do Senado em 2009, Sarney disse no discurso que ninguém levantou questionamentos sobre sua ''honrabilidade ou conduta pessoal''. ''A ética para mim não tem sido só palavras, mas exemplo de vida inteira.''
O peemedebista fez um balanço de suas três gestões na Casa. Mesmo sem o Senado ter concluído a reforma administrativa depois que a crise que atingiu a instituição em 2009, Sarney disse que reduziu em 51% os cargos comissionados, extinguiu mais de 2.000 cargos e implementou a Portal da Transparência com informações legislativas.
Entre suas prioridades no cargo, Sarney destacou a votação da reforma política, a fiscalização da legislação do pré-sal e mudanças na tramitação das medidas provisórias.

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