BRASíLIA - Pela primeira vez o presidente Fernando Henrique Cardoso vai levar na bagagem para uma viagem ao exterior um trunfo importante para mostrar, como ele gosta de dizer, ‘‘um novo Brasil’’: o efeito reeleição. A possibilidade de Fernando Henrique continuar comandando os rumos da economia brasileira por mais seis anos terá um peso significativo nas palestras que fará aos investidores e nos encontros agendados com os chefes de governo na Inglaterra, Itália e no Vaticano.
Muitas vezes criticado por viajar tanto (esta é sua 28ª viagem internacional), o presidente nunca desistiu de fazer o que chama de ‘‘diplomacia presidencial’’ e de demonstrar seu empenho pessoal em contribuir para que o País possa se inserir na economia mundial. Para Fernando Henrique, a globalização significa, dependendo da capacidade de reação e de adaptação dos países aos novos tempos, não uma ‘‘camisa-de-força, mas uma janela de oportunidades’’.
Será atraente aos donos de capital o Brasil que o salesman Fernando Henrique vai mostrar? Na opinião de analistas e consultores brasileiros, o efeito estabilizador que a aprovação da emenda da reeleição sinaliza para a economia torna o País um produto mais confiável. Mas os investidores internacionais costumam avaliar com cuidado diversos fatores antes de decidir onde devem aplicar dinheiro.
O Brasil do início de 1997 tem alguns feitos para mostrar. A inflação anual está inferior a 10%, a menor em meio século. No passado, esse chegou a ser o percentual de apenas uma semana. Em 1996, o País atraiu US$ 9,4 bilhões de investimentos externos diretos. Em 95 foram US$ 3,9 bilhões.
Mesmo assim, embora o governo tenha comemorado esses novos investimentos, conforme relatório preliminar da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), proporcionalmente - em relação ao valor de seu Produto Interno Bruto (PIB) - o Brasil recebeu menos investimento direto do que outros países latino-americanos em 96. Para este ano, as previsões mais otimistas apostam que podem chegar a US$ 18 bilhões os investimentos na produção.
Mas persistem dois problemas reais na economia que ainda ‘‘atazanam’’ o governo, nas palavras do próprio presidente. O déficit público até novembro passado foi de 3,91% do PIB (o operacional, que inclui juros mas não considera a inflação). O déficit da balança comercial (importações maiores que as exportações) foi de US$ 5,5 bilhões em 1996, ou 0,74% do PIB.
As reservas internacionais do País estão situadas em US$ 59,039 bilhões, mas houve um déficit das transações correntes (todas as operações de compra, venda, serviços e doações entre o Brasil e outros países) de US$ 24,3 bilhões (3,27% do PIB). É o maior déficit desde 1983. Para 1997, as perspectivas não são boas: o déficit deve ser maior por causa dos maus resultados da balança comercial.
Os problemas com as exportações brasileiras têm merecido especial atenção de economistas e do governo. A discussão sobre a apreciação do real em relação ao dólar (que chegou a ser estimada em 25% por recente estudo do Banco Mundial), tem gerado especulações de que o governo poderia desvalorizar a moeda para melhorar a performance das exportações. A equipe econômica inteira nega mudanças na política cambial. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, que também desmente a hipótese de alteração, prefere falar em ‘‘aperfeiçoamento’’ do câmbio.

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