O presidente Fernando Henrique Cardoso vai convocar o Congresso nas férias de janeiro, mas não incluirá a emenda da reeleição na pauta da convocação que o Planalto enviará ao Legislativo. Para evitar o desconforto, Fernando Henrique combinou anteontem à noite com os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), que caberá ao Congresso propor a inclusão de mais um item na pauta presidencial: a reeleição.
Também participaram deste acerto o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos (PMDB-SP), o líder governista na Câmara, Benito Gama (PFL-BA), e o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), candidato à presidência do Senado a partir de fevereiro.
O entendimento contornou o mal-estar entre governo e Congresso, por conta da resistência do presidente José Sarney em assumir a convocação extraordinária, incluindo a reeleição na pauta. O presidente da Câmara concordava com a autoconvocação, mas o apoio não foi de muita utilidade para o Planalto porque quem assinaria a autoconvocação seria o presidente do Congresso.
A convocação de janeiro será nos moldes daquela realizada em julho, quando Câmara e Senado bateram recordes de produção ao cumprirem uma pauta ampla julgada inexequível. A lista que o presidente discutiu com Luís Eduardo e José Sarney é extensa. Serão quatro propostas de emenda constitucional - entram aí as reformas administrativa, tributária e previdenciária, 33 projetos de lei que estão tramitando na Câmara e Senado e seis acordos internacionais.
Para que o Legislativo possa incluir a reeleição na pauta, o Planalto enviará sua lista de votações ao Congresso, a título de sugestão. Será dada aos líderes governistas e aliados a oportunidade de propor o exame de projetos que ficaram fora da lista palaciana, com a garantia de que o Planalto acolherá todas as sugestões.

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