Reeleição não reduz quadro de disputas para governo em 98
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domingo, 02 de fevereiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
Os tucanos do Paraná se empenharam para garantir a aprovação da emenda da reeleição para dar ao presidente Fernando Henrique Cardoso condições de disputar mais quatro anos de mandato em 98. Em contrapartida, arriscaram comprometer projetos pessoais de poder no Estado, ao garantir, de quebra, a possibilidade de reeleição também para o governador Jaime Lerner (PDT).
A decisão da última terça-feira da Câmara dos Deputados não chega a reduzir o quadro de prováveis candidatos a governador, apenas provoca a movimentação das peças-chave de um xadrez, no exercício de futurologia política.
Com o novo quadro, Lerner deverá ser o candidato do PDT ao governo, apesar de ter torcido por uma derrota da tese da reeleição, o que o alçaria à condição de presidenciável. Pior para o ex-prefeito de Curitiba e secretário do Planejamento, Rafael Greca, que já se considerava candidato natural ao Palácio Iguaçu, sem o instituto da reeleição obviamente.
O que Lerner passa a enfrentar no novo ordenamento das regras é a força do PSDB, que não deixa dúvidas que sai com candidato próprio e deposita na figura do presidente-candidato metade de suas chances de chegar ao poder. A outra metade vem do que consideram ausência do governo Lerner em todo o Paraná.
Nossa prioridade era garantir o projeto nacional da reeleição. O governo do Paraná vem numa segunda etapa, raciocina o tucano Rubens Bueno, sobre o benefício estendido a Jaime Lerner. O importante, neste momento, era dar sustentação ao presidente Fernando Henrique no Congresso, completa o ex-governador Álvaro Dias.
Daqui para a frente, a disputa surda no PSDB pela candidatura tucana começa a ganhar força justamente entre Álvaro Dias e Rubens Bueno. Mas vai se manter nos bastidores. Bueno deve assumir até abril a direção da Telepar, cargo que o deixa em evidência regional.
Crítico mordaz da administração Lerner e estimuado pela cassação de seu mandato pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o senador Roberto Requião (PMDB) já se anunciou candidato e não deve mudar os planos de voltar ao governo do Paraná, mesmo enfrentando resistências internas no seu partido.
Sem base estruturada nos governos do Estado ou federal, Requião deve procurar uma aliança com o PT, reservando a candidatura de vice para o ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida. Outra alternativa apontada pelos analistas de plantão seria o ex-deputado federal Pedro Tonelli. O sonho de Cheida é ser candidato, mas a turbulência na saída da Prefeitura de Londrina, que afetou sua relação interna com o PT, deve fazê-lo mudar de planos.
O PFL e o PTB também não descartam romper a aliança estadual com Lerner e sairem para a disputa do governo. O presidente do PTB, José Eduardo Vieira, tem dito a amigos que não desistiu deste projeto. O ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, também já colocou seu nome para a disputa. Stephanes pode enfrentar ainda a teimosia do deputado federal Ricardo Barros, que não esconde desejos de ver o seu nome impresso em cédulas oficiais para o governo do Paraná.
A dúvida, no novo quadro, é o comportamento do PPB. Encolhido em três deputados - e podendo sofrer outras defecções de percurso - que debandaram para o PSDB, o partido do presidenciável Paulo Maluf foi o mais atingido pela aprovação da reeleição também no Paraná. O PPB tentou atrair o senador Osmar Dias (sem partido) para lançá-lo candidato ao governo, mas com a debandada, perde a chance de apresentar um nome de consistência na disputa.


