Reeleição? Não preciso dela
Folha - Como o senhor vê o País? O Plano Real estabilizou a economia e elevou a renda da população. A reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso é necessária para manter o plano?
Lerner - Não há dúvida que a política econômica teve sucesso, mas isso já aconteceu e iniciou-se no governo Itamar Franco. Temos que alcançar outras etapas, mesmo porque não há politica econômica que se consolide se não houver um avanço na agenda social. O governo realizou uma etapa importante, que é a estabilidade econômica, mas temos que tomar cuidado com o desemprego. O momento é de centrar a agenda no povo. O governo até agora só centrou sua atuação em cima do Congresso. É preciso melhorar as condições de habitação, de saúde, de atenção à criança. A estabilidade econômica não é exclusividade de nenhum partido. Não compartilho com esta previsão um pouco apressada de que se não acontecer a continuidade, será o caos. Como aconteceu com o Lula, quando se dizia que se ele fosse vencedor, os empresários teriam que deixar o País. Isso é bobagem. O PT provou sua competência em várias gestões, em outras não. Acho que este discurso de ou continuidade ou caos é um pouco forçado. Nunca tive postura maniqueísta. Reconheço o mérito do governo na pilotagem da política econômica, apesar de pertencer a partido de oposição. Mas temos muito a avançar, a área da habitação é muito ruim, por exemplo.
Folha - Lula falou em Curitiba que tem como proposta para 1997 propor a reunião de setores de várias áreas para discutir uma agenda mínima para o País. O senhor participaria?
Lerner - Quero dizer que é muito importante que todos os partidos raciocionem em relação a este momento. Se hoje se faz críticas em favor do avanço da agenda social, é muito importante que a oposição faça o discurso da esperança. Eu defendo a tese de que fazer só a constatação da tragédia ou torcer para que a tragédia aconteça, para que daí isto favoreça um processo político mais desejável por um ou outro partido, isto é anti-País. Os partidos que compõem a oposição têm que ter um projeto de País. Acho que seria importante que todos aqueles que defendem avanço social se reunissem e pudessem trabalhar em torno de um projeto comum. Não só faria parte, como me considero legitimado porque são coisas que eu tenho batido há muito tempo.
Folha - O senhor acha que dá para repetir o ano de 96 em 97, ou já aconteceu tudo que tinha para acontecer em termos de novos investimentos?
Lerner - Eu vejo que passado 95, que foi um ano difícil, em 96 estamos vendo acontecer todos os projetos. Todos os compromissos que assumi perante o povo do Paraná estão sendo executados: o projeto de Vilas Rurais já chegou ao número de 145, e agora o programa vai ser acelerado com aporte de recursos externos. Segundo: o Paraná Urbano está colocando os recursos para os programas de qualidade de vida, que atingem um grande número de municípios do Estado. Outro ponto é o investimento de US$ 500 milhões na capacitação de recursos humanos. Está aí também o projeto da Universidade do Professor, com 98% de aprovação dos professores. Terceiro ponto é a infra-estrutura. A concorrência do terminal de contêineres do Porto de Paranaguá está sendo iniciada, a duplicação do anel rodoviário está em plena realização e o leilão dos serviços da Ferroeste está pronto. Tudo está sendo executado. Isso muda o perfil econômico do Paraná, com novos investimentos na ordem de US$ 5,5 bilhões de dólares. Isso tudo aconteceu em menos de dois anos. Agora chegou o momento da colheita. Não preciso de reeleição para realizar o que assumi diante do povo do Paraná. Vejo com imensa alegria as perspectivas para 97 e 98.





