Um levantamento preliminar feito pela Associação dos Municípios do Paraná (AMP), aponta que 61% dos 399 prefeitos do Estado estariam aptos a concorrer à reeleição nas eleições de outubro. No entanto, somente 40%,ou seja, 98 estariam dispostos a buscarem mais quatro anos de mandato à frente do Executivo municipal.
Nas eleições de 2000, a primeira em que prefeitos puderam se submeter ao processo de reeleição, 39,4% dos 5.505 chefes de Executivo do País foram reconduzidos ao cargo, conforme dados do Instituto Brasileiro de Administrações Municipais (IBAM). Neste ano, a estimativa é que os números caiam, mesmo com os 54 municípios criados em janeiro de 2001, já que estes 39,4% prefeitos reeleitos em 2000, não poderão se recandidatar.
Segundo o presidente licenciado da AMP, Joarez Henrichs, que é prefeito de Barracão (90 quilômetros de Francisco Beltrão), o baixo número de prefeitos que querem a reeleição demonstra a dificuldade em administrar os municípios com poucos recursos. ''Os prefeitos estão ficando praticamente sem condições de administrar. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) determina as responsabilidades da União, estados e municípios, mas como fazer se não há repasse de recursos suficientes?'', indagou.
O prefeito de Inácio Martins (54 km ao sul de Guarapuava), Jacir Antônio Cardoso (PL), engrossa o coro dos que não pretendem se recandidatar. ''Este último ano foi muito difícil. O problema mais sério foi a queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Além do mais, já fui vereador, vice-prefeito e prefeito. Acho que já está bom. Estou bem satisfeito. Agora, vamos ajudar outro do nosso grupo político a se eleger'', disse. No Paraná, cerca de 63% dos municípios vivem quase que exclusivamente dos repasses mensais do FPM.
O prefeito de Campo Mourão (cidade-pólo/Centro-Oeste), Tauillo Tezelli (PPS) que está encerrando seu segundo mandato e também irá trabalhar nas eleições buscando apoio ao candidato do partido acredita que a falta de recursos nos municípios está deixando a função cada vez mais árdua. ''Para os municípios que têm pouca arrecadação de impostos, a dificuldade é maior. Os prefeitos devem estar sentindo as dificuldades financeiras e as cobranças da população. Está muito difícil ser prefeito'', analisou. ''Mas eu acredito que este número (o de prefeitos dispostos a buscar a reeleição) tende a aumentar com a proximidade das eleições.''
Já nos municípios maiores, como Londrina, Maringá e Ponta Grossa, que têm arrecadação própria, os prefeitos já anunciaram que estão na disputa pela reeleição. ''A idéia inicial do partido é que eu deva ser candidato a reeleição. Mas está difícil. Você recebe um déficit como recebi, precatórios trabalhistas, dívidas e soma a muitas carências sociais e pressão sobre estas demandas. Governar está sendo muito difícil, tem que ser muito apaixonado'', analisou o prefeito de Ponta Grossa, Pericles de Holleben Mello (PT).

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