Arquivo FolhaDúvidaO senador José Sarney, que encerra o mandato em 98, ainda não sabe se disputa a reeleição ou sai para presidente da República A reeleição do presidente da República, dos governadores e dos prefeitos está obrigando boa parte dos senadores a mudar os planos para o ano que vem. Muitos que têm só mais um ano e meio de mandato e que eram candidatos ao governo de seus estados querem evitar o confronto com o governador candidato à reeleição e já iniciam as negociações para disputar a própria reeleição.
É o caso, por exemplo, dos senadores Flaviano Mello (PMDB-AC), Élcio Álvares (PFL-ES), Levy Dias (PPB-MS), Ney Suassuna (PMDB-PB), José Eduardo Andrade Vieira (PTB-PR), Pedro Simon (PMDB-RS), Odacir Soares (PFL-RO), João França (PMDB-RR) e João Rocha (PFL-TO). A senadora Júnia Marise (PDT-MG) também é candidata à reeleição. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) aguarda a decisão de seu partido para definir se sai candidato a senador ou a governador. Ele prefere disputar o Senado.
No ano que vem o Senado renovará 27 de seus senadores, todos eleitos - ou suplentes dos eleitos - em 1992. Alguns já deixaram sinais de que vão desistir da política, como Gilberto Miranda (PFL-AM), Lucídio Portella (PPB-PI), Onofre Quinan (PMDB-GO), Josaphat Marinho (PFL-BA), Beni Veras (PSDB-CE) e Abdias Nascimento (PDT-RJ). O senador Joel de Holanda (PFL-PE) sabe que será difícil vencer a eleição para o Senado, porque o oponente José Mendonça Bezerra (PFL-PE) é muito forte. Ele deverá disputar uma vaga na Câmara. Joel assumiu o lugar de Marco Maciel (PFL), eleito vice-presidente da República.
O senador José Sarney (PMDB-AP) também encerra o mandato no início do ano que vem e, se quiser continuar no Senado, terá de disputar a eleição. Mas Sarney ainda não definiu o que vai fazer. Ele pode ser a opção do PMDB para a disputa à Presidência da República, em um confronto direto com o presidente Fernando Henrique Cardoso. A ala do presidente do PMDB, Paes de Andrade (CE), quer ter candidato próprio. E trabalha para conquistar o ex-presidente Itamar Franco. Sarney seria a segunda opção, em caso de desistência de Itamar.
A candidatura ao governo dos estados está atraindo mais os senadores que têm mandato até o ano de 2003 - eleitos em 1994. Eles não perderiam nada, caso fossem derrotados na eleição para o governo de seus estados. Alguns casos, como o do Piauí, registram dois pretendentes à disputa, em um mesmo partido, o PFL. Hugo Napoleão e Freitas Neto já foram governadores do Piauí e estão empenhados, cada um, em convencer o outro a abrir mão da disputa em seu favor.
No Acre, o PMDB está fazendo um acordo com o PFL e com o PPB, na tentativa de vencer a forte candidatura de Jorge Viana, do PT. O candidato a governador seria o atual governante, Orleir Cameli (sem partido). Embora respondendo a vários processos e suspeito de ser um dos compradores de votos para a reeleição, Cameli tem alta aceitação entre os eleitores acreanos. Ele está asfaltando as principais estradas do Acre e põe este trabalho na conta do retorno em votos. ‘‘Estamos fechando o acordo’’, disse o senador Nabor Júnior (PMDB-AC). Por esta negociação, Flaviano Mello será candidato à reeleição, no Senado.
Na Bahia, as dificuldades para o senador Josaphat Marinho são muito grandes e ele pensa em desistir da carreira política. O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), trabalha pela candidatura do próprio filho, o líder do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). O governador Paulo Souto (PFL), que chegou a manifestar o desejo de disputar o Senado, deverá ser candidato à reeleição na chapa apoiada por Antônio Carlos.
No Ceará, os senadores Lúcio Alcântara (PSDB) e Sérgio Machado (PSDB) eram candidatos ao governo, até a votação da reeleição. Agora eles aguardam a opção do governador Tasso Jereissati (PSDB). Se Tasso candidatar-se à reeleição, os dois senadores devem ficar quietos. Se Tasso optar pelo Senado, um deles disputa o governo. Machado tem mais chances, porque pertence ao grupo de Tasso. O líder do governo no Senado, Élcio Álvares, que fica sem o mandato no início de 1999, tem pesquisas que o apontam como o favorito na disputa pelo Senado. Ele sonha em ser o próximo presidente da Casa, no lugar de Antônio Carlos Magalhães. No Maranhão, se a governadora Roseana Sarney (PFL) não for candidata à reeleição, o cargo será disputado por Edison Lobão (PFL). Se Roseana quiser mais um mandato, Lobão não será candidato a nada.

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