Patrícia Zanin
Com a garantia dada recentemente no Paraná pelo relator da reforma política, senador Sérgio Machado (PSDB-CE), de que as regras para a reeleição do ano que vem serão as mesmas do ano passado, os prefeitos já estão em campanha escancarada. Levantamento feito pela Folha nos principais municípios do Estado mostra que a maioria dos prefeitos pretende disputar a reeleição.
Segundo Machado, as propostas em tramitação no Congresso para alterar a reeleição não serão aprovadas, pelo menos para 2000. Uma delas prevê prorrogação de mandato; a outra pede a desincompatibilização dos dirigentes seis meses antes do pleito e a terceira prega o fim da reeleição para prefeitos. ‘‘Nenhuma delas têm chance de passar’’, afirma o vice-líder do governo na Câmara, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). ‘‘As propostas são para todos os gostos, mas não há clima para sua aprovação’’, confirma o deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR).
Com as regras mantidas, os prefeitos fazem planos e esboçam projetos. A Federação das Associações de Municípios do Paraná (Femupar) tem um balanço extra-oficial que revela: 80% dos 399 prefeitos do Estado devem disputar a reeleição. ‘‘Os outros 20% estão em dúvida’’, afirma o presidente da entidade e prefeito de Cambé, José do Carmo Garcia (PTB), ele próprio um dos que vai encarar a disputa no ano que vem.
Cassio Taniguchi, de Curitiba, é candidato declarado à reeleição. A sinalização do Congresso, de que não haverá mudanças nas regras da reeleição, pelo menos para as eleições do ano 2000, fez o prefeito escancarar sua ambição.
Taniguchi já sabe que enfrentará problemas, inclusive na base aliada que dá sustentação hoje ao seu amigo pessoal, o governador Jaime Lerner. O PTB já disse que sai com candidato próprio. O PPB tenta a mesma coisa. Taniguchi articula nos bastidores uma união com o PSDB, de Álvaro Dias. Os tucanos poderiam até indicar o vice. Pode ser a nova versão do acordo branco firmado entre PFL e PSDB na campanha do ano passado.
Em Londrina, o prefeito Antonio Belinati (sem partido) já se articula com os partidos que lhe deram sustentação nas eleições de 96. Apesar dos índices satisfatórios em pesquisas de opinião que, segundo alguns institutos poderia ter sua reeleição garantida no primeiro turno, o prefeito pode ter surpresas com sua própria base de apoio depois que anunciar seu futuro partidário, prometido para hoje.
Ele se reúne nesta segunda com o presidente estadual do PFL, João Elísio Ferraz, que deve analisar a condição imposta por Belinati para sua entrada na sigla: a reestruturação do diretório municipal em Londrina, comandado pelo secretário de Estado do Emprego, Alex Canziani. Canziani foi convidado pelo presidente estadual do PSDB, senador Alvaro Dias, para entrar na sigla, o que pode forçar mudanças no quadro eleitoral de Londrina para o próximo ano.
Dos possíveis candidatos à Prefeitura de Maringá, apenas o prefeito Jairo Gianoto (PSDB) admite a possibilidade. Caso a candidatura se confirme, Gianoto adianta que vai enfatizar suas realizações na cidade, as obras que começaram e foram concluídas durante seu mandato. Ele acredita que os eleitores precisam saber o que foi levado adiante, mesmo com dificuldades como a falta de verba.
Entre outros políticos considerados ‘‘prefeituráveis’’, o deputado federal Valdomiro Méger (PFL) nega o interesse pela vaga. O presidente da Câmara de Vereadores, João Alves Correa (PMDB), também descarta a possibilidade de disputar a prefeitura, optando pela possível reeleição como vereador. (Colaboraram Leandro Donatti e Ana Carolina Sacoman)Com garantias do Congresso de que nada deve mudar para o pleito no ano que vem, administradores antecipam campanha
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