Reeleição facilita investimento externo
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quinta-feira, 30 de janeiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - A possibilidade de o presidente Fernando Henrique Cardoso poder se candidatar à reeleição vai dar mais tranquilidade aos investidores estrangeiros, estimulando a compra de mais papéis de empresas brasileiras. Os estrangeiros devem movimentar volume maior de recursos nas bolsas de valores, com a perspectiva de continuidade da política econômica por mais seis anos, na avaliação do mercado financeiro. O responsável pelo banco de investimento da Merril Lynch, Bernardo Parnes, prevê que os investimentos em bolsa devem atingir R$ 6 bilhões este ano.
O risco Brasil, medido pelas empresas de rating, deve diminuir já na próxima avaliação, que deve ocorrer no primeiro trimestre, diz o diretor de investimentos do Citibank, Luiz Eduardo Assis. Com a diminuição do risco Brasil, as empresas terão mais facilidade de captar recursos no exterior e aumenta a disposição dos investidores em aplicar no País. É muito mais fácil para o investidor estrangeiro tomar uma decisão de investimento, se ele consegue projetar um cenário de longo prazo, afirma. Seis anos é o prazo necessário para fechar um ciclo produtivo, argumentam os especialistas.
Para o diretor do Citi, ainda esta semana os estrangeiros devem entrar comprando nas bolsas de valores. A sua expectativa é de que aumente a participação dos fundos mútuos estrangeiros (investidores institucionais) na bolsa.
Para o diretor de Tesouraria do Bank of America, Eduardo Leme, a aprovação em primeiro turno da emenda de releição, além de contribuir para o ingresso de mais recursos estrangeiros, deve melhorar a qualidade do dinheiro e ampliar o prazo do investimentos. Alguns investidores evitavam comprar papéis brasileiros cujo vencimento ultrapassasse o governo Fernando Henrique, diz.
Mesmo considerando a aprovação da emenda um fato bastante positivo, o mercado espera que o governo agora avance nas reformas, especialmente a administrativa e tributária, diz o diretor de Bolsa do Banco ING, Paulo Bileczkjan. As bolsas, segundo ele, podem ter novo período de alta, após os vencimentos das opções, assim que ficar claro que as articulações sobre reeleição na Câmara e no Senado estão fechados e que o governo volte a dar prioridade às reformas.
A aprovação da emenda da reeleição melhora os horizontes dos investidores, na medida em que aumentam as possibilidades de a inflação se manter em baixa.


