Reeleição é antiética e inoportuna, diz Ciro Gomes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de novembro de 1996
Agencia Estado 
BRASíLIA - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes disse ontem, em depoimento à comissão especial da Câmara, que a proposta da reeleição é anti-ética e inoportuna, porque fortalece o poder oligarco de direita no País, mediante uma competição desigual com as demais forças políticas. Segundo Ciro, tucano como o presidente Fernando Henrique Cardoso, o assunto desvia as atenções nacionais que, a seu ver, deveriam se concentrar nas reformas de base para salvar a economia do colapso em que foi mergulhada pelo modelo neoliberal de desenvolvimento em vigor.
Para o ex-ministro, existe no Brasil uma perversidade institucional que confere ao presidente poderes imperiais que ele agora estaria tentando usar em proveito próprio, alterando as regras com as quais foi eleito. A reeleição, assim, não seria uma lição ética para o País, criticou o ex-ministro, para a seguir deixar clara sua posição: Estou contra a vontade do rei. Ciro ressalvou, porém, que suas críticas são de princípio, não à pessoa de Fernando Henrique, a quem considera o presidente mais preparado das últimas décadas no País.
Ciro disse que Fernando Henrique, apesar de toda sua honradez pessoal, tem demonstrado um apetite grande pelo cargo, que a seu ver não é criminoso, mas é impertinente. Ciro enfatizou que a proposta de reeleição é uma digressão que poderá custar ao País um preço impagável e ela só foi lançada, a seu ver, para compensar a falta de um projeto nacional. Ele atribuiu a inexistência de um projeto nacional às concessões feitas pelo governo Fernando Henrique ao clientelismo e ao neoliberalismo.


