BRASíLIA - O ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes disse ontem, em depoimento à comissão especial da Câmara, que a proposta da reeleição é anti-ética e inoportuna, porque fortalece o poder oligarco de direita no País, ‘‘mediante uma competição desigual com as demais forças políticas’’. Segundo Ciro, tucano como o presidente Fernando Henrique Cardoso, o assunto desvia as atenções nacionais que, a seu ver, deveriam se concentrar nas reformas de base para salvar a economia do colapso em que foi mergulhada pelo modelo neoliberal de desenvolvimento em vigor.
Para o ex-ministro, existe no Brasil uma perversidade institucional que confere ao presidente poderes imperiais que ele agora estaria tentando usar em proveito próprio, alterando as regras com as quais foi eleito. ‘‘A reeleição, assim, não seria uma lição ética para o País’’, criticou o ex-ministro, para a seguir deixar clara sua posição: ‘‘Estou contra a vontade do rei’’. Ciro ressalvou, porém, que suas críticas são de princípio, não à pessoa de Fernando Henrique, a quem considera o presidente mais preparado das últimas décadas no País.
Ciro disse que Fernando Henrique, apesar de toda ‘‘sua honradez pessoal’’, tem demonstrado ‘‘um apetite grande’’ pelo cargo, que a seu ver ‘‘não é criminoso, mas é impertinente’’. Ciro enfatizou que a proposta de reeleição ‘‘é uma digressão que poderá custar ao País um preço impagável’’ e ela só foi lançada, a seu ver, para compensar ‘‘a falta de um projeto nacional’’. Ele atribuiu a inexistência de um projeto nacional às concessões feitas pelo governo Fernando Henrique ao clientelismo e ao neoliberalismo.

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