Reeleição de Lerner custou R$ 4,5 milhões
A campanha do governador Jaime Lerner (PFL) custou quase dez vezes mais que a do candidato derrotado na disputa pelo governo, senador Roberto Requião (PMDB). Lerner gastou R$ 4.501.519,70 e Requião, R$ 495.518,00. Os valores gastos pelos candidatos constam das prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral do Paraná, pelos respectivos comitês financeiros.
A campanha de Lerner registrou uma sobra de caixa de R$ 6.365,00. O saldo já foi incorporado à receita do PFL, informou ontem o presidente do comitê financeiro, Mário Lopes Filho. O irmão do senador Requião, ex-secretário Eduardo Requião, disse que houve déficit de campanha. Ele não adiantou o valor da pendência, mas garantiu que ela está sendo liquidada.
Nem Lopes Filho nem Eduardo Requião revelaram os nomes dos doadores de campanha. Eles não pretendem se adiantar à Justiça Eleitoral, que colocará as informações detalhadas à disposição da imprensa somente daqui a duas semanas, no mínimo. Lopes Filho disse que 90% das doações em favor da reeleição de Lerner foram de empresas. A maioria das de Requião tem a mesma origem.
O maior volume de recursos da campanha de Lerner foi empregado em propaganda e publicidade, disse o responsável pelas finanças. Não gastamos nada além do necessário, emendou Lopes Filho, lembrando que o teto fixado no registro de candidatura foi de R$ 5,9 milhões. Os custos da reeleição tiveram de ser redimensionados durante o desenrolar do processo eleitoral, comentou ele.
Além da publicidade, o comitê financeiro de Lerner informou que os R$ 4,5 milhões despendidos foram empregados no pagamento de pessoal, material de expediente, locação de veículos, cachês de artistas convidados para showmícios, luz, aluguel e panfletagem. Os impressos consumiram a maior parte da nossa cota, assinalou Mário Lopes Filho em entrevista à Folha.
Eduardo Requião avaliou que R$ 700 mil garantiriam uma campanha eleitoral com maior folga para o irmão. No final, faltou um pouco de dinheiro, disse. A contabilidade de Requião foi dividida em duas partes: R$ 294.826,00 somente com o senador e outros R$ 200.692,00 de Requião com a Coligação Mais Paraná num todo. Fizemos dobradinhas em outdoors, santinhos, jornais e panfletos. Muitas lideranças do interior ajudaram, explicou Eduardo Requião.
Proprietário da produtora que elaborou os programas de TV do senador e dos candidatos dos partidos aliados à oposição, colocados ao ar durante o horário eleitoral gratuito, Eduardo Requião brinca que saiu no prejuízo. Eu contribuí com boa parte dos custos porque achei a causa justa. O valor pago à minha empresa foi simbólico, R$ 36 mil, e quanto ao restante, respeitamos os valores de mercado. Outro ponto positivo é que não gastamos em papel. A Champion-Inpacel e a Pisa fizeram doações, detalhou ele. (L.D.)





