Reeleição de FHC provoca crise no PSDB
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segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaSob suspeitaCovas: ao desistir de concorrer à reeleição, governador de São Paulo põe a nu crise de confiançaA decisão do governador paulista Mário Covas de não concorrer à reeleição pôs a nu a crise de confiança entre o PSDB e o presidente Fernando Henrique Cardoso. O clima é de suspeita geral, resume um dirigente do partido. A razão da crise é a suspeita de que a estratégia do Palácio do Planalto de priorizar a reeleição do chefe inclui acertos estaduais que deixam o PSDB de fora, prejudicando os governadores tucanos candidatos à reeleição.
O alto tucanato está aterrorizado com o risco de não reeleger nenhum dos sete governadores do partido que tomaram posse com Fernando Henrique. Avaliam os dirigentes do partido que este risco aumenta na medida do desinteresse do Planalto. Tememos que o partido saia em frangalhos da eleição geral do ano que vem, admite um dos líderes informais do PSDB.
No caso Covas, os prejuízos de R$ 700 milhões por causa da lei Kandir que desonerou as exportações são a parte visível dos descontentamentos e mágoas na relação do governo paulista com o governo federal. De fato, Covas intercedeu junto aos demais governadores a favor da lei Kandir, a pedido do presidente com a garantia de que as perdas eventuais seriam compensadas. Como as compensações prometidas não vieram, o governador entregou uma carta-reclamação ao presidente. Isto foi em maio e, até hoje, a resposta não veio.
Mas a relação do PSDB paulista com o Planalto azedou mesmo há cerca de dois meses, depois que se tornou público o encontro de Fernando Henrique com o ex-prefeito Paulo Maluf no Alvorada, planejado em segredo. O Planalto só pensa em montar o palanque mais conveniente para a reeleição de Fernando Henrique nos Estados e está atropelando os governadores do partido, acusa um dirigente do PSDB paulista. Segundo o político, os tucanos estão revoltados com os rumores de um acordo com Maluf em São Paulo, com os maus tratos ao governador mineiro Eduardo Azeredo, e com as suspeitas de um acerto com o PFL do ex-prefeito César Maia, no Rio.
As avaliações preliminares do Planalto dão conta de que a negativa de Covas é uma resposta ao presidente que cria um problema para a campanha da reeleição. Covas recuou para se preservar, e acabou impondo um novo padrão de ética que não admite a disputa da reeleição sem sair do cargo, resume um colaborador de Fernando Henrique.
A decisão de Covas de não se candidatar à reeleição já foi levada à Executiva Nacional. Vice-presidente do partido, o deputado paulista Arnaldo Madeira foi quem comunicou a decisão do governador ao presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL), e ao secretário-geral, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), há dez dias. O aviso oficial ao secretariado, porém, não foi estendido ao presidente, com quem o governador teve um encontro a sós, de 30 minutos, na sexta-feira (12). Fernando Henrique foi recebido no Palácio dos Bandeirantes para participar da solenidade de assinatura de contrato para o polo petroquímico do planalto paulista.
O deputado Arnaldo Madeira reconhece o desgaste político que a decisão impõe ao PSDB, mas, como bom conhecedor da personalidade do governador, recomenda que ninguém insista no contrário, pelo menos por enquanto. O melhor agora é deixar o tempo correr, porque, se mexer, piora, adverte. Nas últimas conversas que Covas teve com a direção nacional do partido sobre o assunto, foi taxativo: Quero governar em paz e não quero misturar governo com campanha.


