As eleições para a presidência da Mesa Executiva da Câmara de Vereadores, de Londrina, realizada sábado após a posse, pode se transformar em uma ''dor de cabeça'' neste segundo mandato do prefeito reeleito Nedson Micheleti (PT).
Orlando Bonilha (PL) que presidiu a Câmara no biênio 2003-2004 foi reconduzido ao cargo por dez votos contra oito do tucano Roberto Kanashiro em uma das eleições mais tensas dos últimos anos. Ao final da cerimônia de posse da 14 Legislatura, por volta das 16h45, quatro vereadores mantinham a candidatura. Além de Bonilha, estavam no páreo Tercílio Turini (PSDB), Renato Araújo (PP), e Jamil Janene (PDT). Flávio Vedoato (PSC), abriu mão da disputa em apoio a Bonilha.
Mesmo antes da inscrição das chapas, Turini e Araújo se mostraram inconformados com a suposta interferência do deputado estadual e presidente do PT no Paraná, André Vargas, no processo. ''Houve uma interferência vergonhosa do deputado André Vargas no processo, assediando alguns vereadores'', afirmou Araújo. ''Fica difícil diferenciar o Executivo do próprio André Vargas. Isso criou um aborrecimento, dificuldades, um constrangimento e pessoas que eram companheiras, inclusive na eleição do prefeito. Foi uma intromissão indevida'', considerou Turini, para quem esta interferência vai gerar desdobramentos futuros ''na condução dos trabalhos na própria Câmara''.
Vargas negou que tivesse trabalhado em prol da candidatura de Bonilha. ''Aqui é o PT que tem voto, o diálogo é institucional. Não atuei, não tenho nenhum tipo de influência na votação aqui. Não há orientação nenhuma (para a bancada)'', garantiu o deputado. No entanto, ao final da entrevista, Bonilha e o vereador Gláudio Lima (PT) se aproximaram de Vargas para contabilizar os prováveis votos da chapa.
Nedson também negou que tenha interferido no processo. ''Eu nunca interferi e jamais vou interferir em nada que diga respeito à Câmara Municipal. É outro poder que tem autonomia'', disse. ''Eu até acredito que ele pessoalmente não está interferindo mas quando tem o presidente estadual do partido tomando partido de um candidato é difícil você fazer essa dissociação entre o PT e o Executivo. Eu acho que prefeito teria que ter puxado a orelha do André há alguns dias'', cobrou Turini.
Gláudio Lima explicou que o PT, que tem três vereadores, apoiou o candidato do PL porque ele teria conseguido mais votos que o adversário. ''Aquele candidato que apoiou o Nedson e conseguir a maioria, o PT vai junto. Quem conseguiu isso foi o vereador Orlando Bonilha, inclusive cedendo uma vaga na Mesa para o PT e é por isso que acabamos nos decidindo pela candidatura dele'', justificou, se referindo à vaga de perimeiro-secretário cedida a Lourival Germano (PT). ''O Roberto Kanashiro apoiou o Nedson e então por que o PT não veio conosco? Nós tínhamos oito votos. Bonilha tinha sete votos. O compromisso do PT era de que apoiaria quem tivesse mais votos'', contestou Jamil Janene (PDT).
Jamil ainda contestou o voto de Roberto Fu (PDT), que votou em Bonilha. ''Eu estou sendo expulso do PDT porque apoiei o Nedson no segundo turno e agora o homem mais forte do Nedson é eleito pelo voto do PDT? E ainda tem um fechamento de questão que está na ata do partido: oposição do PT na cidade de Londrina'', afirmou. Fu alegou que conversou com o presidente municipal do PDT, Barbosa Neto. ''Busquei entendimento com o presidente do partido e votei conforme a minha vontade.'' Caso houvesse empate no número de votos, Kanashiro seria empossado por ser mais velho.

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