Reeleição cria 300 comitês em SP
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terça-feira, 28 de julho de 1998
Christiane Samarco Agência Estado 
A campanha da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso mobilizou voluntários, que criaram 300 comitês domiciliares em São Paulo, e prometem percorrer as portas das fábricas à caça de votos a partir de segunda-feira. Este é o primeiro resultado do movimento suprapartidário Mais Brasil, criado há dez dias em São Paulo, sob a coordenação do secretário estadual de Energia, Andréa Matarazzo, que está deixando o posto para cuidar exclusivamente da campanha presidencial.
O Mais Brasil é a versão remodelada do Desperta Brasil, que apoiou a eleição de Fernando Henrique há quatro anos. Além de identificar simpatizantes da reeleição em todo o País, dispostos a abrir comitês em casa ou escritórios, o Mais Brasil trabalha para conseguir apoio financeiro do empresariado à confecção do material de campanha. Um kit completo para o comitê domiciliar inclui desde o painel do Movimento Mais Brasil, Fernando Henrique Presidente, às cartilhas, camisetas, cartazes, bandeirolas e adesivos, que devem ser usados no convencimento dos vizinhos e colegas de trabalho.
Nós já marcamos a presença do movimento na primeira viagem do candidato Fernando Henrique, que visitou Porto Alegre no dia 18, usando o cachecol do Mais Brasil, conta o coordenador-executivo, Pedro Del Pichia. Para a segunda viagem do candidato, programada para sábado (01), no interior do Ceará, o Mais Brasil quer comparecer na cabeça do candidato, na forma do chapéu de couro tradicional na região.
Voluntários do movimento também devem acompanhar o candidato nas viagens, como fizeram nos tempos do Desperta Brasil. Coordenador do movimento em várias capitais, José Aloísio Torrecillas acompanhou todos os comícios do candidato Fernando Henrique em 1994 e pretende repetir a mobilização agora. A idéia é chegar sempre dois ou três dias antes do candidato na cidade e recrutar voluntários interessados em participar do comício. Queremos trabalhar a manifestação do apoio popular nas viagens do candidato para que os comícios não fiquem reduzidos a uma atração musical, resume Torrecillas.
A ação do movimento entre os sindicalistas não ficará apenas na busca de apoios e voluntários em portas de fábricas. Também estamos criando o comitê dos sindicalistas do Mais Brasil, conta Pichia, apontando o presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos, Paulo Pereira, como o grande incentivador da mobilização no setor sindical.
A idéia é reunir não só os filiados à Força Sindical, como também de outras centrais, como a Geral dos Trabalhadores (CGT). Nosso objetivo é mostrar que parte significativa do sindicalismo brasileiro não é monopólio da CUT (Central Única dos Trabalhadores), nem do candidato petista a presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


