Reeleição atrai menos prefeitos do Paraná
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quinta-feira, 23 de setembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Vim, vi, e não gostei. Este deve ser o pensamento que passou pela cabeça de muitos prefeitos paranaenses que, apesar de poderem disputar mais um mandato, resolveram abdicar do direito de disputar a reeleição neste ano. Segundo o presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Joarez Henrichs, quase a metade dos prefeitos paranaenses com direito à reeleição optaram por ficar longe das urnas neste ano.
O desgosto com a cadeira de prefeito no Paraná pode ser medido também em um levantamento do número de municípios que terão candidatos à reeleição elaborado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto no Brasil 51% dos municípios registram candidatos à reeleição para as prefeituras, no Paraná apenas 40% das cidades terão prefeitos em busca de um segundo mandato. Nos 60% restantes, os prefeitos desistiram de se candidatar ou estavam impossibilitados por já estarem em seu segundo mandato. Não há um número oficial de quantos prefeitos poderiam disputar segundo mandato este ano.
Segundo os dados do tribunal, apenas no Acre o número de cidades que poderão optar por reeleger seus prefeitos é menor no que no Paraná: lá, apenas 36,36% dos municípios apresentam um candidato à reeleição. ''A verdade é que com o orçamento apertado fica difícil tocar o município, e o plano plurianual do governo federal não indica nenhuma melhora nesse quadro para o futuro. Como a lei pune o gestor que não equilibra suas contas frente a prefeitura, muitos preferiram evitar o desgaste'', comentou Henrichs.
Essa análise, porém, não explica por que 81% dos prefeitos do Amapá e 67% dos prefeitos amazonenses tentarão a sorte novamente nas urnas este ano, uma vez que em tese os problemas de orçamento afetam as prefeituras em todo o Brasil. Segundo Henrichs, a diferença entre os estados se deve à mentalidade dos políticos paranaenses.
''Sem desmerecer as outras regiões, os prefeitos paranaenses são mais politizados. Além disso, uma pesquisa nossa apontou que 76% dos prefeitos do Paraná são empresários, e não políticos de carreira. Ou seja, além do apego ao poder político não ser tão grande entre os prefeitos do Paraná, existe uma visão de negócios que mostra: ser prefeito é uma atividade arriscada, uma vez que o orçamento é insuficiente para se desenvolver as atividades necessárias e a dor de cabeça pode ser grande com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)'', acredita Henrichs.


