Reeleição apressa alianças nos Estados
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sábado, 21 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaTrabalho árduoRomeu Tuma: candidato ao governo de São Paulo mas sem apoio de FHC A aprovação da emenda da reeleição precipitou a costura das alianças políticas nos Estados e as disputas entre os aliados pela presença do presidente Fernando Henrique Cardoso no palanque. A agenda eleitoral da semana incluiu um encontro às escondidas do presidente com o ex-prefeito Paulo Maluf, um ataque de ciúmes dos tucanos, um jantar de dirigentes do PFL e PSDB e uma briga entre os líderes dos dois partidos na Câmara. Mais que suficiente para dar a medida exata das dificuldades que terão para reproduzir a parceria nacional nas disputas estaduais de 1998.
Vem aí um tempo de sobressaltos, constatou o senador José Ignácio Ferreira (PSDB-ES). Cada costura regional vai gerar novos atritos entre os aliados, previu, cético. O primeiro, provocado pela conversa entre Fernando Henrique e Maluf, serviu para fixar a primeira regra de convivência entre tucanos e pefelistas nas urnas estaduais: os dois partidos concordam que São Paulo é exceção, o que deixa Fernando Henrique liberado para dar exclusividade ao palanque do governador Mário Covas na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O PFL anunciou que terá candidato próprio em São Paulo, onde o senador Romeu Tuma tem a preferência da direção nacional. Os tucanos sabem que Tuma não será empecilho para uma aliança mas reconhecem as dificuldades. Tanto que o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), diz que será um admirador do PFL se o partido conseguir dobrar as resistências a Covas em São Paulo.
Exceção feita, a ordem é trabalhar à exaustão pelas coligações. Onde houver candidatos dos dois partidos, Fernando Henrique terá de subir no palanque de ambos, resumiu o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE). Ele é candidato da aliança à presidência da República, e não de um partido, justificou José Jorge, anfitrião do jantar de tucanos e pefelistas na noite de terça-feira.
Também ficou acertado que cada Estado será objeto de uma negociação separada. Nada de coligar em um Estado na base da troca do apoio em outro, resumiu José Jorge. Os dois partidos concordaram que a vinculação só acrescentaria mais dificuldades aos acertos locais. Mas onde eu tiver que cortar na carne para atendê-los, vou cobrar contrapartida, avisou o tucano Arthur Virgílio.
O mapa das possibilidades aponta boas chances de reeditar a aliança em 13 Estados. A lista de palanques possíveis inclui o Rio Grande do Sul, em torno da reeleição de Antônio Brito; Sergipe, onde o governador tucano Albano Franco se entende bem com o ex-governador pefelista João Alves; e Mato Grosso do Sul, onde Lúdio Coelho é considerado um forte candidato e trabalha para compor com o deputado Saulo Queiroz, alternativa pefelista para o governo. A parceria é considerada fácil em Roraima, onde a ex-prefeita Teresa Jucá (PSDB), mulher do senador Romero Jucá (PFL), é a favorita. Em Alagoas, o nome do presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela, aparece como candidato mais forte, com o apoio do senador pefelista Guilherme Palmeira e do peemedebista Renan Calheiros. Os dirigentes tucanos também não vêem dificuldades em obter o apoio do PFL para eleger o ex-prefeito Paulo Hartung governador do Espírito Santo.
Em Goiás, onde os tucanos pretendem lançar o deputado Marconi Perilo, apontado como líder emergente no Estado, a coligação é classificada de muito possível. Lá, PSDB e PFL unem-se até com o PT, desde que do outro lado esteja o PMDB do ministro da Justiça, Iris Rezende. Também é considerada muito possível a aliança no Pará do governador tucano Almir Gabriel. O PFL do ex-governador Hélio Gueiros é forte e deverá se unir aos tucanos, numa chapa para o Senado.
Será impossível juntar PSDB e PFL na Bahia do senador Antônio Carlos Magalhães, onde até os tucanos recusam a idéia de subir num palanque ao lado do ex-governador Nilo Coelho, recém filiado pela regional. A reação à presença de Nilo no partido é tamanha que a executiva poderá impugnar sua filiação. O mapeamento ainda aponta dificuldades no Ceará, em Minas Gerais e no Paraná, onde os tucanos recusaram a filiação de Jayme Lerner, do PDT.
Em Pernambuco, terra do vice-presidente Marco Maciel, o PSDB sai com candidato próprio, o senador Carlos Wilson, mas o PFL está determinado a apoiar Jarbas Vasconcelos, do PMDB. Os entendimentos entre dirigentes tucanos e peemedebistas não começaram. A crise nacional ainda não nos permite cuidar de coligações, justificou o vice-presidente do partido, Henrique Eduardo Alves (RN). Os dirigentes peemedebistas aliados ao governo federal trabalham agora para conter o presidente do partido, Paes de Andrade (CE), que prega a candidatura própria contra a adesão humilhante a Fernando Henrique.
Também foi avaliada difícil a parceria no Maranhão. A governadora Roseana Sarney conversou esta semana com o presidente Fernando Henrique, mas segundo um dirigente tucano não houve progressos. Afinal, seu pai, o ex-presidente José Sarney, é reconhecido como uma boa alternativa do PMDB para a hipótese da candidatura própria ao Planalto. O PSDB maranhense deverá ser o fiel da balança na disputa estadual, onde Roseana terá de enfrentar o senador Epitácio Cafeteira (PPB).


