O prefeito de Bela Vista do Paraíso (40 km a norte de Londrina), Florindo Palú (PFL), enviou ofício à Câmara de Vereadores para comunicar as medidas de combate ao déficit que estão sendo adotadas para economizar 10% da receita ao mês, o equivalente a R$ 22 mil. Ele anunciou que está reduzindo seu salário (R$ 4,5 mil), do vice e dos funcionários de cargos comissionados em 20% e pediu aos vereadores, cujos salários são de R$ 1 mil, que também autorizem a diminuição. A Câmara discutirá o assunto na terça-feira.
No ofício, Palú alega que está ‘‘acompanhando as medidas tomadas pelos governos federal e estadual e demais prefeituras para conter os gastos públicos e colocar as finanças em dia’’. Segundo o diretor do Departamento Administrativo, Benvindo de Oliveira, a prefeitura também cortou as horas extras e dará férias coletivas aos servidores de 1º de dezembro a 1º de fevereiro.
Segundo Oliveira, somente os serviços essenciais como saúde, coleta de lixo e limpeza serão mantidos nesse período para ‘‘colocar a casa em ordem’’. Os salários dos vereadores não são pagos há quatro meses e em alguns setores da prefeitura o atraso do funcionalismo é de dois meses. A prefeitura é a maior empregadora do município, que tem 15 mil habitantes, e gasta 80% de sua arrecadação de R$ 220 mil/mês com 413 servidores. O diretor informou que a redução de 20% nos salários do prefeito, vice e vereadores vigoraria por ‘‘60 a 90 dias’’.
A partir de 99 também estão previstas demissões. ‘‘Já cortamos o que podíamos, mas a receita tem caído mês a mês’’, alegou Oliveira. A prefeitura lançou uma campanha para arrecadar impostos em atraso. O município perdoou multas, juros e correção. Segundo ele, apenas 38% dos contribuintes acertaram seus impostos este ano. Com a campanha, a meta é receber R$ 150 mil.
Alguns vereadores avaliaram as medidas com desconfiança. ‘‘Desde o ano passado estamos alertando sobre desperdícios, gastos abusivos e só agora o prefeito resolveu agir’’, criticou o vereador João de Araújo (PL). Segundo ele, o funcionalismo está sem crédito no comércio por causa dos constantes atrasos nos salários. Araújo ainda não decidiu se apóia ou não a redução salarial na Câmara. ‘‘Vamos analisar. Eu, por exemplo, dependo do salário daqui. Era caminhoneiro e vendi o caminhão. Estou comprando na base do fiado’’.
‘‘Se estivéssemos recebendo em dia não haveria problema, mas não sabemos quando vão nos pagar’’, disse a vereadora Neide Cortez Cardoso (PTB). Segundo o vereador Fabrício Pastore (PPB), a Câmara pretende apoiar ‘‘tudo que for bom para o município’’. ‘‘Temos consciência da série crise financeira, mas muitas vezes alertamos o prefeito sobre o fato de se gastar mais do que se arrecada’’, afirmou. Dos 11 vereadores, seis são de oposição e cinco da situação. (P.Z)

mockup