A redução do salário do prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), e de seu secretariado, anunciada com alarde no ano passado, ficou na promessa. A medida, que representaria uma economia de R$ 177,7 mil ao ano, não pôde ser aplicada, segundo justificou o prefeito, por ‘‘questões jurídicas’’. ‘‘Fui informado pela Câmara de Vereadores que juridicamente não tem jeito. Não pode ser feita a alteração salarial do prefeito e dos secretários na mesma administração, somente de uma gestão para a seguinte’’, disse.
Pela proposta inicial, que repercutiu na imprensa nacional, a redução dos salários de prefeito e secretários chegaria a 20%. No caso de Nedson, seu contra-cheque passaria de R$ 10,8 mil para R$ 8,6 mil; dos secretários, o valor cairia de R$ 5,5 mil para R$ 4,9 mil. Questionado sobre a má repercussão da não concretização da promessa, Nedson se demonstrou tranquilo. ‘‘Divulguei como medida de contenção de despesas, mas não foi possível’’, minimizou.
Conforme Nedson, além desse projeto, a intenção em extinguir a Companhia de Desenvolvimento (Codel), atualmente retirada da pauta de discussões da Câmara por tempo indeterminado, também está enfrentando dificuldades. ‘‘A companhia tem capital social e não pode ser assim extinta. Então suspendi também a tramitação por questões jurídicas.’’ A transformação da Fundação do Esporte em Secretaria, também foi abortada.
Ao todo, a reforma administrativa encaminhada para a Câmara em março do ano passado foi composta por 27 projetos: 13 que se referiam aos servidores, 11 sobre mudanças administrativas e três envolvendo matérias tributárias. Desses projetos, 21 foram aprovados (cerca de 80% na forma de substitutivos), três retirados por tempo indeterminado, dois retirados definitivamente e um rejeitado. Na valiação de Nedson, com a reforma, a administração municipal ‘‘avançou bastante’’.
A população parece ainda não ter notado qualquer diferença. As reclamações de que a ruas estão esburacadas, faltam investimentos na saúde e em outros setores aparecem a todo instante na mídia. Mesmo assim Micheleti está otimista, na contabilidade dele, a expectativa é que a reforma, que inclui fusões de secretarias, renegociação de benefícios de servidores, alterações tributárias e contenção de gastos, represente uma economia de R$ 1,5 milhão por mês. ‘‘Ainda não temos nosso objetivo alcançado, temos que fechar o ano. Avançamos bem na redução das despesas administrativas e achamos que podemos avançar mais. Nos passos que não consegui dar a frente, vamos compensar na redução do custeio da máquina administrativa.’’
Conforme dados da Secretaria de Administração, a contenção de gastos com telefone, cópias e correspondências em 2001, representou para os cofres municipais uma economia de R$ 1,14 milhão por ano. Somente com o Programa de Demissão Incentivada (PDI) da Frente de Trabalho, que diminuiu o número de trabalhadores, há uma projeção de economia, este ano, de R$ 3,4 milhões. A fusão da secretaria de Obras e do Pavilon contabiliza R$ 5,5 mil mensais a menos na folha de pagamentos.
No entanto, Nedson lembrou que a economia prevista de cerca de R$ 18 milhões em 2002 não pode ser contada como recurso excedente. ‘‘Vamos aplicar em serviços, como na operação tapa-buracos, que já estamos comprando o material; ao contrário do ano passado, quando não tínhamos nada para investimento na cidade.’’

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