A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que fixou critérios de proporcionalidade entre número de habitantes e vereadores e alterou a composição da maioria das Câmaras Municipais do País também irá refletir e muito nas eleições de outubro.
Além de extinguir quase nove mil vagas para vereadores nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros, a redução de cadeiras aumenta a quantidade de votos necessários para cada candidato conseguir se eleger.
Segundo a secretária judiciária do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Ana Flora França e Silva, o cálculo para eleger vereadores passa por duas etapas. Primeiro se divide os votos válidos pelo número de vagas para vereador. Esta divisão resulta no quociente eleitoral. Em seguida, é dividido o número de votos que cada partido obteve pelo quociente eleitoral. O resultado será o número de vagas que o partido ou a coligação terão direito, sendo eleitos os mais votados. ''O cálculo e a distribuição (das vagas) vão ser diferentes. O número de votos válidos dividido pelo número de cadeiras vai dar um quociente maior nos municípios que tiverem redução do número de vereadores. Nos que tiverem aumento, o contrário'', explicou Ana Flora.
Para o presidente do diretório municipal do PMDB, Miguel Pereira Júnior, o aumento do quociente eleitoral devido à extinção de três cadeiras na Câmara de Londrina, que passa de 21 para 18, vai ''elitizar o Legislativo''. ''É a exclusão da participação popular, das camadas menos favorecidas do processo eleitoral, sobre o falso pretexto de economia. O poder econômico (nas campanhas) pode mandar facilmente nas cidades'', criticou.
De acordo com Pereira, o PMDB está se preparando para lançar chapa completa de candidatos a vereador, considerando 21 vereadores. ''Não vamos fazer chapas com candidatos a menos. Tem sempre a incógnita e estamos nos preparando como se fossem 21 vagas'', concluiu, se referindo à possibilidade da composição das Câmaras para as eleições de outubro ainda serem alteradas por uma Proposta de Emenda Constitucional que tramita no Congresso Nacional.
No entendimento do presidente do PMN em Londrina, vereador Félix Ribeiro, a extinção das três cadeiras, não deverá provocar mudanças no processo eleitoral. ''Se dificulta (a eleição) de um lado, facilita de outro. A concorrência também é menor, teremos menos candidatos. Quem vai levar vantagem são os partidos mais organizados e com uma boa chapa de vereadores'', avaliou.

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