Redução da Câmara divide Medianeira
Lúcio Flávio Moura
De Medianeira
Os vereadores de Medianeira (60 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu) estão divididos sobre qual a melhor forma de cortar os gastos da Câmara. Uma parte quer a redução de seus próprios salários, a outra quer diminuir novamente o número de colegas, aumentada na atual legislatura de nove para 13. A polêmica está sendo usada para o Legislativo pressionar o prefeito Luiz Suzuke (PT) a fazer a reforma administrativa, que pretende diminuir o déficit orçamentário do município.
Os vereadores da oposição, minoritários com seis cadeiras, querem que o número de 10 secretarias seja reduzido pela metade, diminuindo gastos com cargos comissionados. A reforma é politicamente inviável e não significa redução substancial de gastos, sustenta o prefeito, cujo partido dispõe de apenas um representante na Câmara. Minha proposta é de que 11 seja o número ideal de vereadores, mas não vou interferir. É um problema da Câmara, completou.
Além dos 13 vereadores, cinco funcionários da Câmara estão com os salários atrasados. Espontaneamente, os vereadores de situação, que incluem até mesmo representantes do PFL, propuseram corte nos gastos da casa.
Quem reacendeu a polêmica, originada com a criação do município de Serranópolis do Iguaçu (que foi desmembrado de Medianeira em 1996), foi Wilson Toson (PFL), atual secretário do Planejamento.
A área, a população e a receita tributária das duas comunidades se mantiveram com o desmembramento. No entanto, a emancipação fez o número de vereadores saltar de nove para 22 13 em Medianeira e nove em Serranópolis do Iguaçu. Toson acredita que a distorção possa ser corrigida agora e quer que já na próxima legislatura a Câmara tenha apenas nove vereadores, que têm salários de R$ 1,8 mil.
Vamos fazer nossa parte, esperamos que o prefeito faça a dele, afirma Douglas de Almeida (PSC), de oposição, que apóia a Câmara com as antigas nove vagas. Almeida lembra que a reforma no Executivo seria muito mais importante para as contas da prefeito. Com cinco secretários, a prefeitura pouparia o dobro comparando com este eventual encolhimento da Câmara, argumenta.
A vereadora Romy Mazzarela (PSDB), concorda em reduzir os gastos da Câmara, mas rejeita a proposta de encolhimento da casa. Corre-se o risco de se premiar os candidatos mais assistencialistas, além de reduzir a representatividade da população, diz.
Romy e José Anísio Grassi (PMDB) são autores de um projeto de redução de salários, que deve ser posto em votação em janeiro. Pelo texto, um montante imaginário para gastos mensais com nove vereadores seria dividido pelos 13 atuais ocupantes. Neste caso, cada vereador passaria a receber cerca de R$ 1,25 mil, contra os atuais R$ 1,8 mil por mês.
OPINIÃO
Qual a melhor forma de se reduzir os gastos da Câmara: diminuir o número de vereadores ou baixar seus salários?
Ney de Souza
O dinheiro da prefeitura tem que ser gasto com quem precisa e os vereadores não precisam de um salário tão alto. Concordo com as duas propostas. Nove vereadores está ótimo e já que parte deles aceita baixar o salário, então que baixem! O que não pode é a Câmara esquecer os pobres, como está acontecendo.
- JOÃO DENBOSKI DA MOTTA, 49 anos, operário
Ney de Souza
Tem que diminuir o número de vereadores. Duvido que eles tenham coragem de diminuir os próprios salários. Eu não faria isto, acho que ninguém faria. Se é pra economizar, a melhor maneira é cortar um pouco a renda deles. Eles têm outras profissões, não vão morrer de fome.
- ANA BUENO, 25 anos, dona de casa
Ney de Souza
Nove vereadores seriam mais que suficientes para o tamanho da cidade. Quanto menos se gastar, melhor. Eles não servem para nada mesmo, não merecem o salário. Não acho que os eleitores percam representatividade com menos vereadores. Se trabalharem direitinho, ninguém vai sentir falta.
- JULIANE BERNARDO, 16 anos, estudante
Ney de Souza
Dá para ter uma Câmara boa com nove vereadores em Medianeira. A cidade é pequena, não precisa de mais que isso. Eles podem trabalhar um pouco mais para compensar. O que eu votei sumiu, quando o vejo, nem me cumprimenta. O salário deles é alto mas a redução não passa mesmo na votação.
- ELIEL ANTUNES, 23 anos, ótico





