O procurador da República Guilherme Schelb afirmou ontem perante a subcomissão do Senado que as investigações em curso sobre o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge ‘‘podem identificar uma rede de influência que passa pelos fundos de pensão e instituições financeiras, com ramificações na áreas de seguro e informática’’. Segundo Schelb, ‘‘as linhas de investigação em curso mostram fortes indícios da existência de atos que extrapolam o lobby, envolvendo entre outros Eduardo Jorge e o TRT de São Paulo’’.
Guilherme Schelb relacionou oito indícios de irregularidades cometidas por EJ e ressaltou que as investigações começaram há cerca de um mês, tempo que considera curto demais para a obtenção de provas. Nem por isso, afirmou, os indícios devam deixar de ser investigados.
O senador Arthur da Távola (PSDB-RJ), integrante da base governista, questionou os verbos no tempo ‘‘condicional’’ – como ‘‘teria, seria’’ – utilizados pelo procurador, bem como o uso de ‘‘notícias de jornal’’ para formular a existência de fortes indícios contra Eduardo Jorge.
Segundo o senador, os demais procuradores foram cuidadosos em demonstrar que, por ora, havia apenas indícios. Schelb teria sido mais enfático e demonstrado até ‘‘disposição para pré-julgamento’’.
Em resposta, Schelb disse que, ao contrário, usara os verbos no tempo condicional justamente para tratar daqueles itens da investigação tirados de notícias de jornais. ‘‘Os que já investigamos, usamos o verbo no presente, com documentos que estão aqui’’, afirmou Schelb.
Quanto ao uso de notícias, o procurador Schelb disse se tratar de uma prática comum no mundo inteiro. Mencionou também uma operação irregular de US$ 900 milhões que o BNDES faria nas Ilhas Cayman e que o Ministério Público conseguiu abortar depois de uma investigação iniciada a partir de matéria jornalística.
‘‘Tanto a gente exagera como eles também’’, disse o procurador Luiz Francisco referindo-se aos jornalistas, em meio ao debate. As procuradoras Janice Ascari e Maria Luíza Duarte, de São Paulo, contestaram afirmação feita por EJ à comissão, de que estava sendo investigado havia um ano e que não havia nenhuma prova contra ele. Segundo elas, o Ministério Público Federal de São Paulo deu início à investigação criminal contra EJ em 24 de julho último, e à civil dois dias depois, em 26 de julho.
Os oito indícios citados por Guilherme Schelb são: 1) Suspeita de fazer tráfico de influência para liberar verbas para a obra do TRT-SP; 2) Sinais de desproporção entre o patrimônio e a renda de EJ; 3) Suspeita de envolvimento em empréstimo supostamente irregular concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ao frigorífico Chapecó; 4) Suspeitas de irregularidades na operação de salvamento da construtora Encol; 5) Suspeita de envolvimento no ‘‘desmonte’’ do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e com a empresa Montreal Informática, contratada sem licitação pelo Ministério da Justiça; 6) Suspeita de irregularidade em sociedade na empresa DTC (Direct To Company); 7) Fortes indícios de utilização de fundos pensão como instrumento governamental, especialmente o Previ, Funcef e Real Grandeza; 8) Suspeita de articulações envolvendo a privatização do Instituto de Resseguros do Brasil.

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