Dois dos três empresários convocados a depor à Comissão de Ética da Câmara de Vereadores de Londrina avisaram ontem que não irão atender ao ''convite''. A recusa foi entregue por escrito ao presidente da Comissão, Roberto Kanashiro (PSDB), pelo advogado Marcos Ticianelli, que representa os empresários Alexandre Guimarães e Maurício Di Biagi. Eles são apontados pelo Ministério Público (MP) como vítimas de extorsão praticada por cinco vereadores londrinenses, entre eles Henrique Barros (sem partido), que renunciou ante à provável abertura de um processo de cassação.
A recusa dos empresários acentua o temor público de que a Comissão de Ética ''morra na praia'' com as investigações que apuram a participação dos vereadores Orlando Bonilha (PR), Renato Araújo (PP), Osvaldo Bergamin (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC) no esquema de cobrança de propina para aprovação de projetos na Câmara. Isso porque Barros, personagem central do escândalo e até agora o único contra o qual foram apresentadas provas materiais, também deixou de comparecer diante da comissão, na semana passada. Com poder de investigação bastante restrito, o grupo liderado por Kanashiro não deve ter subsídios para recomendar a abertura de um processo de cassação contra os outros quatro parlamentares, acusados também de formação de quadrilha.
''Nosso papel é apenas averiguar a procedência dessas denúncias, e constatando que houve infração, indicar as possíveis punições'', afirmou o presidente da comissão. Segundo ele, ações como a busca de provas e novas testemunhas fora da Câmara caberiam somente à uma comissão de investigação. O vereador frisou, contudo, que não pode adiantar se a representação contra Bonilha, Bergamin, Araújo e Vedoato será arquivada antes de ''vencer as etapas'' previstas no trabalho da Comissão de Ética. O terceiro empresário convocado a depor, Carlos Messas, ainda não confirmou sua presença. Nem ele, nem seu advogado atenderam às ligações da reportagem.
Já a justificativa dada por Guimarães e Biagi para não comparecer, segundo o advogado, foi de que tudo que sabiam já foi dito ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), sendo a presença deles desnecessária. ''Eles reafirmam que não tiveram contato com nenhum outro vereador além de Henrique, nem ouviram menção a outros nomes. Como Henrique renunciou, acham que não faz sentido depor à Câmara'', reproduziu Ticianelli.
Kanashiro disse que acabou concordando com a justificativa. ''Se afirmam que não tiveram conhecimento de nenhum outro citado, não há necessidade de deporem. Ao menos nos comunicaram formalmente (a ausência), é um sinal de respeito ao convite feito'', observou.
A reunião da comissão continua marcada para amanhã, às 9 horas. O grupo irá analisar as defesas apresentadas pelos quatro vereadores. Embora alguns deles tenham declarado à FOLHA que ''faziam questão'' de ser chamados a depôr, o relator da comissão, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), adiantou que isso não deverá acontecer.
As investigações da Polícia Civil e do Gaeco apontaram que os três empresários citados teriam pago juntos, a Barros, cerca de R$ 47 mil a fim de que projetos de lei que envolviam empreendimentos deles fossem agilizados ou não sofressem retaliações na Casa. A denúncia apresentada pelo MP contra os cinco vereadores ainda não foi acatada pela Justiça.

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