Recursos desviados por doleiros são repatriados
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Rosiane Correia de Freitas<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O Brasil recebeu R$ 1.927.263 repatriados dos Estados Unidos em decorrência de pedido de cooperação jurídica internacional a partir de ação do caso Banestado - esquema de evasão de divisas e lavagem de capitais que movimentou ilegalmente US$ 28,1 bilhões na conta de políticos, empresários e administradores públicos. O dinheiro foi depositado segunda-feira em conta da 2 Vara Federal Criminal de Curitiba e deverá ser convertido em renda da União. Outros R$ 2.921.977,95, cuja origem, é a mesma já foram repatriados em 2008.
Os valores foram bloqueados em contas de doleiros brasileiros mantidas no Merchants Bank em Nova York e localizadas pela United States District Court of New Jersey durante uma investigação local por tráfico de drogas.
Pelo menos parte dos recursos de uma das contas pode ter tido origem em outras contas bancárias movimentadas em solo americano por doleiros brasileiros acusados de evasão fraudulenta de divisas e lavagem de dinheiro no caso que envolveu o banco Banestado. Um terço do total bloqueado foi devolvido ao Brasil. O restante foi destinado às agências bancárias americanas envolvidas no episódio.
Foi durante a investigação do caso Banestado que policiais federais brasileiros descobriram o envolvimento de doleiros com as contas investigadas pelas autoridades americanas. Os recursos depositados nas contas foram congelados até o julgamento das ações na Justiça americana que permitiriam o repatriamento de parte do total encontrado.
Os resultados das investigações dos EUA foram compartilhados com as autoridades brasileiras em um desdobramento do caso Banestado, provocando a abertura de diversas ações penais no Brasil contra os doleiros responsáveis pelas contas.
As investigações no Brasil foram conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Contribuiu com o rastreamento o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça. A procuradoria denunciou 684 investigados - 97 deles condenados judicialmente.


