Recurso tenta livrar Badan
Agência Estado
e Correio Popular
De Campinas
Os advogados Teresa Dóro, Nivaldo Dóro, Pedro Pessoto Neto e Waldemar Soares Lima Júnior, que representam o médico-legista Fortunato Antônio Badan Palhares, encaminharam ontem um pedido urgente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele não corra o risco de ser preso ao depor perante a CPI do Narcotráfico.
Responsável pelo laudo que fundamentou o primeiro inquérito sobre a morte de Paulo César Farias, o médico deveria prestar depoimento ontem em Campinas aos deputados da CPI do Narcotráfico. Mas devido a um problema renal, não compareceu. O depoimento foi transferido para a próxima semana. O legista está internado na Casa de Saúde de Campinas.
Anteontem, o relator da CPI referente a Campinas, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), acusou o legista de vender laudos e serviços a pedido da quadrilha de roubo de cargas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O depoimento de ontem deveria ser marcado, principalmente, por um confronto entre os dois. Pompeo havia se preparado para o duelo. Como munição, usaria 51 fotografias que registraram a necrópsia feita nos corpos de PC e Suzana.
As fotos foram encontradas no estacionamento de um posto de saúde da Vila Castelo Branco, em março do ano passado, mas só na última quarta-feira se tornaram públicas, através do atual diretor do Departamento de Medicina Legal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Molina de Figueiredo, desafeto declarado de Palhares.
Com as fotografias de PC e Suzana, foram encontradas outras fotos com imagens da necrópsia do ladrão de cargas Jonas Artur Gomes, o Capeta, morto em um confronto policial em março do ano passado. O material foi deixado dentro de uma pasta encontrada sob o portão do posto de saúde. No dia seguinte, o vigia as encaminhou para a Polícia Civil, que passou a investigar o caso. Queremos saber o que teria motivado a desova das fotos na calada da noite, disse Mattos. A CPI diz ter em seu poder 12 dossiês que colocam sob suspeita a atuação de Badan e mostrariam suas ligações com o crime organizado em Campinas.





