Recurso do PT vai adiar investigação de caixa 2
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terça-feira, 13 de novembro de 2001
Rodrigo Sais<br>De Curitiba 
O recurso protocolado pelo PT contra a decisão que validou a prestação de contas da campanha do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) causará um atraso na investigação realizada pelo Ministério Público (MP) estadual. O promotor Valcir Natalino afirmou que pretende esperar o juiz da 1Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, analisar o recurso antes de iniciar a investigação. Natalino é o promotor responsável pela investigação de denúncias de crimes eleitorais da 1 Zona Eleitoral.
O PT alega que as denúncias que indicam uma movimentação financeira de R$ 32,9 milhões seriam motivo para uma alteração na sentença do juiz, que levou em conta apenas a prestação de contas oficial do PFL ao TRE, no valor de R$ 2,88 milhões.
Pela legislação, o juiz não precisa levar em conta fatos novos surgidos após a assinatura da sentença. Amaral garante ter assinado a sentença um dia antes das denúncias divulgadas em reportagem do jornal ''Folha de S.Paulo'' no dia 6 de novembro.
Apesar do procurador Valcir Natalino só iniciar suas investigações após a decisão de Amaral, o MP estadual já iniciou os trabalhos para verificar se houve utilização de dinheiro público na campanha de Cassio. A Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público designou quatro promotores para apurar o caso.
Para o coordenador da promotoria, Munir Gazal, o fato das denúncias de caixa 2 estarem sendo investigadas por duas ramificações do MP agilizam os trabalhos de apuração. ''Já enviamos vários documentos ao promotor Valcir Natalino e estamos em contato permanente para trocarmos idéias sobre o caso. Devido à gravidade das acusações, pretendemos disponibilizar os oito promotores na próxima semana para ajudar nas investigações'', afirma Gazal.
Além do MP estadual, a Receita Federal também está investigando o caso para apurar se houve sonegação fiscal entre as empresas e pessoas citadas na suposta movimentação de caixa do comitê do PFL. Os documentos foram entregues na semana passado à Receita pelo senador Roberto Requião (PMDB) e pelo deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha.
O próximo passo das investigações do MP deve ser ouvir as pessoas e representantes de empresas mencionadas no livro-caixa, reconhecido pelo tesoureiro da campanha de Cassio, Francisco Paladino Jr., como sendo legítimos.


