Se mantiver o acordo feito com políticos do Amapá para preservar da demissão os 6 mil servidores não-estáveis daquele Estado, o governo ficará longe de alcançar a economia prevista com a demissão dos 33 mil não-estáveis. Os servidores não-estáveis do Amapá custam ao Tesouro mais de R$ 100 milhões por ano.
Com a pressão de políticos dos outros ex-territórios, o rombo deverá ser muito maior. ‘‘Essa negociação de preservar os servidores dos ex-territórios passou pela Câmara; tivemos a garantia de líderes governistas de que não haveria demissão no Amapá e em Roraima’’, afirmou ontem o deputado Eraldo Trindade (PPB-AP).
Os quase 40 mil servidores que ficaram na cota da União dos ex-territórios do Acre, Amapá, Roraima e Rondônia representam uma despesa anual de R$ 534,1 milhões. Por pouco a Câmara não perpetuou ontem essa despesa. Um destaque ao texto da reforma administrativa, apoiado pelo PSDB, previa incorporar todos os servidores dos quatro ex-territórios, que hoje são assumidos pela União, num quadro em extinção do governo federal, tornando-os estáveis. Uma mobilização do PT derrubou o ‘‘trem-da-alegria’’.
A situação dos servidores dos ex-territórios é peculiar. Um exemplo é Roraima, onde os 10.937 servidores federais representam 80% da população economicamente ativa do Estado. Destes, 80% não têm estabilidade.
O governo gasta, em média, R$ 10,820,00 por ano com cada um dos 33 mil servidores não-estáveis que disse que ia demitir.

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