A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) recuou pela segunda vez e até sexta-feira, depois de uma reunião do Conselho de Administração, estava suspenso o contrato que a estatal pretendia firmar com o Instituto Curitiba de Informática, no valor de R$ 42,3 milhões, sem licitação. A Sanepar não confirma, mas a pressão política do deputado estadual José Maria Ferreira (PDT) funcionou. O deputado apresentou no mês passado um requerimento pedindo explicações do governo sobre o contrato. O deputado considera um absurdo um contrato deste valor ser firmado em final de governo e em desobediência às regras da Lei 8.666.


Gentilezas


Nem Alvaro Dias (PDT) nem Roberto Requião (PMDB) cumpriram a promessa de manter as aparências durante a campanha eleitoral neste segundo turno. Prova disso foi o debate da Band anteontem. Requião chamou Alvaro de cínico. Alvaro devolveu chamando Requião de arrogante. Uma troca de gentilezas entre dois políticos que já foram aliados e se conhecem muito bem.


Invasão


A antiga sede da Sociedade Rio Branco que virou comitê eleitoral do candidato derrotado na eleição de 6 de outubro, Beto Richa, nesta eleição, está tomada por cabos eleitorais do senador Requião. Os muros do comitê, que fica em Curitiba, estão forrados de cartazes Lula-Requião e o entra e sai de cabos eleitorais e de veículos tem sido bem intenso.


Razões


Quem está pensando que a ocupação do comitê de Beto é um sinal de que o PSDB está com Requião, ledo engano. O PMDB explicou ontem: foi o tucano Silvio Name, proprietário do imóvel, quem aderiu à campanha peemedebista.


Respingos


Os principais aliados de Alvaro Dias não acreditam que o apoio do prefeito Cassio Taniguchi (PFL) venha a prejudicar a campanha do pedetista, mesmo com os processos judiciais que tramitam contra a Prefeitura de Curitiba. Cassio é acusado de formar caixa 2 durante sua campanha à reeleição em 2000, de descumprir determinações judiciais para o pagamento de precatórios e de movimentar dinheiro público com uma empresa-parceira sem observar a Lei de Licitações.


Bem-vindo


Anteontem o candidato a vice de Alvaro, Luiz Forte Neto, ressaltou que quem quer vencer uma eleição não recusa apoio. ''Todo apoio é bem vindo, desde que não signifique um compromisso para depois da eleição'', defendeu Forte Neto. Esse mesmo discurso foi usado por Alvaro Dias na noite do dia 6 de outubro, depois da divulgação de que ele iria para o segundo turno. ''Só não aceito lotear o meu governo'', disse Alvaro na época.


Memória


Cassio Taniguchi oficializou seu apoio a Alvaro na segunda-feira e teve o senador Osmar Dias (PDT) e o deputado federal Luciano Pizzatto (PFL) como interlocutares das negociações. O prefeito não pretende se licenciar para pedir votos a Alvaro, como fez no primeiro turno, enquanto apoiava Beto Richa, terceiro colocado na disputa pelo Palácio Iguaçu. Mas nos bastidores tem se movimentado bastante. Ontem, pôs a mão na massa e pediu votos para Alvaro na cidade e inaugurou comitê pró-Alvaro. Tudo para evitar que o futuro governador, com quem terá de relacionar-se, seja Roberto Requião (PMDB), seu inimigo.


Ficha


As denúncias contra Cassio estão pipocando no segundo mandato de prefeito. Primeiro foi o caixa dois. A campanha do pefelista é acusada de não ter declarado pelo menos R$ 17 milhões à Justiça Eleitoral, gastos na campanha de 2000. Essa omissão configura a formação de contabilidade paralela. A outra denúncia que tem dado dor de cabeça ao prefeito diz respeito a movimentação de R$ 50,7 milhões entre a prefeitura e a Fundação Instituto Tecnológico Industrial (Fundacen), sem a observação da Lei de Licitação. A denúncia do Ministério Público, ainda não acatada pelo Tribunal de Justiça, deve ter a esfera de discussão deslocada para Brasília.


Novo caso


Já a mais recente pendenga judicial se consumou em meados desta semana. O Tribunal de Justiça acolheu uma nova denúncia-crime contra o prefeito. Desta vez, ele é acusado de descumprir ordem judicial quando dexou de incluir no orçamento de 1998 os valores dos precatórios de dois imóveis rurais. Somados, os dois precatórios representam algo em torno de R$ 3,5 milhões.


Ferreirinha


A farsa eleitoral que deu vitória a Requião na eleição de 1990 ao governo, contra José Carlos Martinez (PTB), não deve ser tocada nesta campanha por razões óbvias. Na época em que se criou a figura de um pistoleiro que foi à tevê acusar a família Martinez de grilagem, Requião e Alvaro eram aliados.


Geléia geral


Não é exclusividade de Alvaro Dias apoios fisiológicos como o do prefeito de Curitiba. Requião também vem recebendo adesões inimagináveis para um candidato que tanto criticou o governo do Estado. O presidente do PFL, João Elisio Ferraz de Campos, e o ex-secretário da Casa Civil Alceni Guerra são Requião desde criancinha.


Perguntinha


Cassio Taniguchi também está pedindo votos para Alvaro Dias em nome do governador Jaime Lerner (PFL)?

Leandro Donatti e sucursais
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